- A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, fechou a usina Santa Elisa em Sertãozinho, resultando na perda de 1.200 empregos.
- A usina operou por quase 90 anos e sua paralisação surpreendeu a comunidade local.
- A dívida da Raízen aumentou 56% no último ano, alcançando R$ 49 bilhões, e a empresa busca injeção de capital e venda de ativos.
- A companhia já vendeu sua usina de açúcar em Leme e 55 unidades de geração de energia renovável, mas esses desinvestimentos representam apenas 7% da dívida total.
- A Raízen, que tinha avaliação de US$ 14,3 bilhões, agora vale cerca de US$ 2 bilhões, enfrentando um cenário econômico desafiador.
A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, enfrenta uma crise financeira severa, culminando no fechamento da usina Santa Elisa em Sertãozinho, que resultará na perda de 1.200 empregos. A unidade, que operou por quase 90 anos, paralisou suas atividades, deixando a comunidade local em choque. Natã Nóbrega, um dos trabalhadores, expressou a tristeza coletiva ao afirmar que “ninguém esperava por isso”.
O fechamento da usina é um reflexo das dificuldades financeiras da Raízen, que viu sua dívida crescer 56% no último ano, alcançando R$ 49 bilhões. A empresa, que realizou um IPO em 2021, agora busca injeção de capital e está vendendo ativos para reduzir sua carga financeira. O diretor financeiro, Rafael Bergman, revelou que a companhia queimou R$ 7 bilhões em três meses, levando a uma queda de até 15% nas ações, que atingiram um mínimo histórico de R$ 1,02.
Medidas em Andamento
Para enfrentar a crise, a Raízen iniciou um processo de desinvestimento, já vendendo sua usina de açúcar em Leme e 55 unidades de geração de energia renovável. A empresa está em negociações para vender usinas em Mato Grosso do Sul e uma refinaria na Argentina. Apesar de os desinvestimentos representarem apenas 7% da dívida, a busca por um novo investidor é considerada crucial. O CEO da Cosan, Marcelo Martins, afirmou que a empresa está aberta a parcerias estratégicas.
A Raízen, que já foi avaliada em US$ 14,3 bilhões, agora vale cerca de US$ 2 bilhões. A companhia enfrenta um cenário desafiador, com a necessidade de reavaliar seus planos de crescimento e investimentos em biocombustíveis, que não geraram resultados imediatos. A pressão econômica e o aumento das taxas de juros complicaram ainda mais a situação, levando a uma reformulação na gestão da empresa.
Futuro Incerto
Os trabalhadores de Sertãozinho, que esperavam um futuro melhor para a usina Santa Elisa, agora enfrentam incertezas. Maurílio Biagi Filho, ex-executivo da usina, lamentou a situação, afirmando que “os fatores econômicos se sobrepõem a qualquer outro cenário”. A Raízen continua sua busca por soluções, mas a recuperação parece um desafio distante em meio a um mercado em crise.
Entre na conversa da comunidade