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Leilão da Prefeitura transforma Faria Lima e atrai interesse de investidores

Leilão de Cepacs da Faria Lima revela cautela do mercado, com arrecadação abaixo do esperado em meio a incertezas econômicas e políticas

Edifício Faria Lima 3.500, do Itaú (Foto: Felipe Rau/Estadão - 09/10/2024)
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  • O leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) da Operação Urbana Consorciada Faria Lima arrecadou R$ 1,66 bilhão, valor inferior à expectativa de R$ 3 bilhões.
  • A arrecadação abaixo do esperado foi atribuída a um preço inicial elevado de R$ 17,6 mil por título e à cautela dos investidores em um cenário econômico incerto.
  • Especialistas criticaram o preço fixado pela prefeitura, sugerindo que um valor de R$ 12,6 mil poderia ter atraído mais concorrentes.
  • A alta taxa de juros e a instabilidade política também impactaram a decisão dos investidores, que estavam mais focados em regularizações de imóveis do que em novas aquisições.
  • Empresas como Partage e Stan estão entre as que podem participar de futuros leilões, buscando oportunidades em um mercado cauteloso.

O leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) da Operação Urbana Consorciada Faria Lima arrecadou R$ 1,66 bilhão, valor abaixo da expectativa de R$ 3 bilhões. A baixa arrecadação é atribuída a um preço inicial elevado e à cautela dos investidores, em meio a um cenário econômico incerto.

O preço de R$ 17,6 mil por título foi considerado alto, limitando a concorrência. Especialistas apontam que a falta de ágio reflete a hesitação dos incorporadores, que enfrentam custos de construção elevados. A taxa de vacância na região, uma das mais valorizadas para lajes corporativas, não foi suficiente para estimular a competição.

Cautela no Mercado

A decisão da prefeitura de fixar um preço elevado foi criticada por analistas. Celso Amaral, diretor da Amaral d’Ávila, sugeriu que um valor de R$ 12,6 mil poderia viabilizar mais projetos. A escolha por um preço superior resultou em uma arrecadação menor, mas ainda assim significativa.

A instabilidade política e econômica também influenciou o leilão. Sérgio Belleza, diretor de transações da Binswanger Brasil, destacou que a alta taxa de juros e a insegurança política geraram apreensão entre os investidores. Uma liminar que suspendeu um item da revisão da lei da operação urbana, poucos dias antes do leilão, contribuiu para a incerteza.

Participantes e Projetos

O leilão atraiu apenas aqueles que realmente necessitavam dos títulos. A oferta de R$ 45 mil por um título específico indicou que a demanda estava voltada para regularizações de imóveis, não para novas aquisições. Isso reforça a ideia de um mercado cauteloso, focado em necessidades imediatas.

Empresas como a Partage e a Stan são vistas como candidatas naturais para futuros leilões. A Partage já possui andares em prédios de alto padrão na Faria Lima e um terreno ocioso com potencial para um empreendimento de classe AAA. A Stan, por sua vez, planeja um prédio corporativo na esquina da Faria Lima com a Cidade Jardim, dependendo da quantidade de Cepacs adquiridos.

O leilão de Cepacs da Faria Lima, apesar de sua magnitude, reflete um cenário de cautela e análise rigorosa por parte dos incorporadores, que buscam equilibrar oportunidades em um ambiente econômico desafiador.

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