- O Banco Master está sob investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por suspeitas de gestão fraudulenta e irregularidades financeiras.
- A CVM identificou que o banco investiu R$ 2,1 bilhões em empresas sem capacidade de retorno, incluindo R$ 361 milhões em uma clínica com receita anual de apenas R$ 54 mil.
- Os investimentos podem ter inflado artificialmente o patrimônio do banco, tornando-o mais atrativo no mercado.
- A investigação também revelou que a clínica que recebeu os aportes é registrada em nome de uma proprietária que não é a verdadeira dona do negócio.
- A CVM concluiu que existem indícios de crime, conforme a Lei 7.492/86, que pode resultar em penas de até doze anos de reclusão.
BRASÍLIA — O Banco Master enfrenta uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por suspeitas de gestão fraudulenta e irregularidades financeiras. A apuração revelou que a instituição investiu R$ 2,1 bilhões em empresas sem capacidade de retorno, incluindo R$ 361 milhões em uma clínica com receita anual de apenas R$ 54 mil.
A CVM identificou que esses investimentos podem ter inflado artificialmente o patrimônio do banco, tornando-o mais atrativo para negociações no mercado. O relatório da CVM destaca que a clínica, que recebeu os aportes, é registrada em nome de uma proprietária que não é a verdadeira dona do negócio, levantando indícios de crimes financeiros.
Investimentos Suspeitos
A investigação começou para fiscalizar a atuação da Laqus Depositária de Valores Mobiliários, que comercializou títulos de dívida. Os inspetores descobriram que as notas comerciais emitidas pela Clínica Mais Médicos S.A. foram integralmente financiadas pelo Banco Master. A CVM aponta que a receita da clínica é desproporcional aos investimentos recebidos, o que levanta suspeitas sobre a viabilidade financeira da empresa.
Além disso, o relatório menciona que a sócia da clínica possui um histórico de trabalho como recepcionista e vive em um imóvel modesto, incompatível com os aportes milionários. A CVM também encontrou indícios de que outras empresas ligadas à irmã do dono do banco, Daniel Vorcaro, podem estar envolvidas em práticas irregulares.
Consequências e Reações
A investigação da CVM foi encaminhada ao Banco Central e a órgãos de controle, enquanto o Banco Master se defende, afirmando que todos os investimentos foram quitados e não há pendências financeiras. A instituição expressou surpresa com as alegações e considera inadmissível a abertura de procedimentos com vazamentos seletivos à imprensa.
A situação se complica ainda mais com a proposta do BRB, banco estatal de Brasília, para adquirir 58% do Banco Master, que está sob análise do Banco Central e gera controvérsias no Ministério Público do Distrito Federal. A CVM concluiu que existem indícios de crime, conforme o artigo 4º da Lei 7.492/86, que trata da gestão fraudulenta de instituições financeiras, com penas que podem chegar a doze anos de reclusão.
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