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Negócios agrícolas comunitários enfrentam dependência do governo para sobreviver

Relatório aponta que mais de 90% das cooperativas na Amazônia nunca acessaram crédito; medidas urgentes são necessárias para reverter a situação

Castanhas à venda em Belém (PA); associações e cooperativas que comercializam o produto têm o governo como praticamente único cliente (Foto: Felipe Rau/Estadão)
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  • Negócios agrícolas comunitários na Amazônia enfrentam dificuldades de acesso a financiamento, com mais de 90% das cooperativas e associações sem crédito.
  • Um relatório recente recomenda a criação de linhas de crédito específicas para a agricultura familiar sustentável e destaca a recuperação de pastagens degradadas.
  • O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) não beneficiou 99,9% desses empreendimentos.
  • A disparidade no acesso ao Pronaf é significativa: o Rio Grande do Sul recebeu R$ 33,2 bilhões em 2022, enquanto o Amazonas recebeu apenas R$ 160 milhões.
  • A falta de regras específicas para a Amazônia e a ausência de Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) dificultam ainda mais o acesso ao crédito.

Negócios agrícolas comunitários no Brasil, especialmente na Amazônia, enfrentam graves dificuldades de acesso a financiamento. Um estudo da ONG Conexsus revela que, entre 1.040 cooperativas e associações mapeadas, mais de 90% nunca tiveram acesso a crédito. Além disso, 99,9% desses empreendimentos não se beneficiaram do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

O relatório, divulgado em 20 de setembro de 2023, recomenda a criação de linhas de crédito específicas para a agricultura familiar sustentável. A pesquisa também destaca a necessidade de recuperação de pastagens degradadas e melhorias na assistência técnica. A expansão desordenada da pecuária e das monoculturas na Amazônia, nos últimos 40 anos, contribuiu para o desmatamento e a insegurança alimentar na região.

Fernando Moretti, líder de crédito socioambiental da Conexsus, observa que 70% das cooperativas têm o governo como único comprador. Embora isso mantenha a produção local, a dependência do governo é arriscada, especialmente após cortes nos programas de compra durante a gestão anterior. O relatório da rede Uma Concertação pela Amazônia e do Instituto Clima e Sociedade (iCS) enfatiza que não existem linhas de crédito voltadas para a bioeconomia, dificultando o acesso dos produtores.

A disparidade no acesso ao Pronaf é alarmante: enquanto o Rio Grande do Sul recebeu R$ 33,2 bilhões em 2022, o Amazonas recebeu apenas R$ 160 milhões. A falta de regras específicas para a Amazônia e a dificuldade de deslocamento dos projetistas de crédito agravam a situação. Moretti ressalta que 40% das 4 mil famílias de produtores não possuem Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), essencial para acessar crédito.

Além disso, o relatório sugere a recuperação de pastagens degradadas, que atualmente representam 60% das áreas destinadas à pecuária na Amazônia. Medidas como análise nutricional do solo e rotação de gado podem aumentar a produtividade e reduzir emissões. Rosana Maneschy, professora da UFPA, destaca que o acesso a crédito é crucial para que pequenos e médios produtores possam implementar essas práticas.

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