- O banco Itaú estima que a tarifa efetiva dos Estados Unidos sobre importações brasileiras é de 30%, considerando uma sobretaxa de 50% e 694 isenções, principalmente no setor de aeronaves.
- O impacto no PIB brasileiro é projetado em 0,1%.
- O governo Lula teme novas sanções de Donald Trump e discute cortes na taxa de juros nos Estados Unidos.
- O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita, acredita que os cortes na taxa de juros não serão tão profundos quanto o esperado devido à robustez da economia americana.
- O Itaú projeta um crescimento do PIB brasileiro de 2,2% em 2025 e de 1,5% em 2026, com o IPCA previsto em 5,1% em 2025.
A tarifa efetiva dos Estados Unidos sobre importações brasileiras foi estimada em 30% pelo banco Itaú, conforme dados divulgados nesta quarta-feira, 27. Essa taxa considera a sobretaxa de 50% imposta por Washington e as 694 isenções anunciadas pelo governo de Donald Trump, especialmente no setor de aeronaves. A análise do Goldman Sachs corroborou essa estimativa, calculando uma taxa efetiva de 30,8%. O impacto no PIB brasileiro é projetado em 0,1%.
Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco, destacou que o cálculo atual não leva em conta possíveis aumentos nas tarifas. O governo Lula, por sua vez, expressa preocupação com a possibilidade de novas sanções econômicas de Trump, especialmente em meio ao julgamento de Bolsonaro, que se inicia em setembro. Além disso, a recente decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que limita a validade de ordens judiciais estrangeiras, também gera apreensão.
Impacto Econômico
As tarifas americanas devem provocar um choque de oferta e um efeito inflacionário nos EUA, o que pode restringir os cortes na taxa de juros. Apesar disso, há uma expectativa de redução nas taxas em setembro, conforme indicado por Jerome Powell, presidente do Banco Central americano. Mesquita acredita que os cortes não serão tão profundos quanto o mercado espera, devido à robustez da economia e ao baixo desemprego.
Os economistas do Itaú também preveem uma possível valorização do real em relação ao dólar, que já caiu 11,96% desde o início do ano. Mesquita afirmou que o real se fortaleceu em linha com outras moedas, mas as contas externas do Brasil e as tensões tarifárias com os EUA podem limitar essa valorização.
Projeções Futuras
O banco projeta um crescimento do PIB brasileiro de 2,2% em 2025, abaixo da previsão do Ministério da Fazenda, que é de 2,5%. Para 2026, a expectativa é de 1,5%. O IPCA deve ultrapassar a meta do Banco Central em 2025, fechando o ano em 5,1%, e convergir para 4,4% em 2026. A economista Julia Gottlieb, parte da equipe de Mesquita, prevê que o Banco Central comece a cortar juros no primeiro trimestre de 2026, com a taxa projetada em 15% ao final deste ano e 12,75% em 2026.
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