- O dólar caiu 1,6% em agosto, revertendo a alta de 2,7% de julho, o primeiro mês de valorização desde a posse de Donald Trump.
- A desvalorização ocorre em meio a expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) e pressões sobre sua credibilidade.
- O Bloomberg Dollar Spot Index, que mede o desempenho do dólar, indica uma tendência de baixa, com Wall Street prevendo uma queda de 8% na moeda ao longo do ano.
- O presidente do Fed, Jerome Powell, sinalizou a possibilidade de cortes nas taxas na reunião de política monetária marcada para 17 de setembro, com uma chance de 80% de um corte em setembro.
- Investidores internacionais, que possuem cerca de US$ 32 trilhões em ativos em dólar, podem vender até US$ 1 trilhão se os níveis de proteção cambial voltarem à média.
O dólar apresentou uma queda de 1,6% em agosto, revertendo o avanço de 2,7% registrado em julho, o primeiro mês de alta desde a posse de Donald Trump. Essa desvalorização ocorre em meio a expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) e pressões sobre a credibilidade da instituição.
Os investidores estão se preparando para uma possível desaceleração econômica, o que tem levado a um aumento na proteção cambial. O Bloomberg Dollar Spot Index, que mede o desempenho do dólar em relação a outras moedas, reflete essa tendência de baixa. Wall Street projeta uma queda de 8% na moeda de reserva global ao longo do ano, influenciada por sinais de fraqueza econômica e a expectativa de cortes nas taxas de juros.
Trump tem questionado a independência do Fed, o que pode afetar ainda mais o apelo do dólar. Jayati Bharadwaj, chefe de estratégia cambial do TD Securities, destacou que as ações recentes do governo dos EUA podem corroer o status do dólar como ativo seguro. A análise técnica sugere que a moeda americana pode continuar a desvalorizar, com operadores prevendo uma leve queda nos próximos meses.
Expectativas de Cortes nas Taxas de Juros
O presidente do Fed, Jerome Powell, indicou a possibilidade de cortes nas taxas já na próxima reunião de política monetária, marcada para 17 de setembro. Os contratos de swap de juros apontam para uma chance de 80% de um corte em setembro, com o mercado já precificando dois cortes de 0,25 ponto percentual até o final de 2025.
Essa perspectiva de afrouxamento monetário pressiona os rendimentos dos Treasuries, tornando o dólar menos atraente. Sahil Mahtani, diretor do Instituto de Investimentos da gestora Ninety One, observou que a crescente incerteza política pode levar investidores estrangeiros a aumentar a proteção cambial, o que pressionaria ainda mais a moeda.
Aumento na Proteção Cambial
Os investidores internacionais, que detêm cerca de US$ 32 trilhões em ativos denominados em dólar, podem vender até US$ 1 trilhão caso os níveis de hedge voltem à média. Serena Tang, chefe global de estratégia de ativos cruzados do Morgan Stanley, afirmou que, apesar da atratividade dos ativos dos EUA, a incerteza política deve levar a um aumento na proteção cambial, impactando negativamente o dólar.
Entre na conversa da comunidade