- Uma investigação do *New York Times* revelou que o Haiti pagou entre 21 e 115 bilhões de dólares à França como indenização após sua independência em 1804.
- O pagamento foi exigido sob ameaça de guerra e teve um impacto negativo na economia do país, contribuindo para a miséria atual.
- A jornalista Selam Gebrekidan destacou que a pesquisa envolveu a análise de milhares de documentos após o governo francês negar pedidos de acesso à informação.
- A investigação também abordou a destituição do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, que solicitou indenizações à França, e a influência de Wall Street na ocupação dos Estados Unidos no Haiti.
- Gebrekidan afirmou que, apesar dos desafios atuais no jornalismo investigativo, é importante investir em colegas jornalistas e no trabalho colaborativo.
Investigação Revela Impacto das Indenizações ao Colonialismo no Haiti
Uma investigação do *New York Times* revelou que o Haiti pagou entre 21 e 115 bilhões de dólares à França como indenização após conquistar sua independência em 1804. Este pagamento, exigido sob a ameaça de guerra, teve um impacto devastador na economia do país, contribuindo para a miséria persistente que os haitianos enfrentam até hoje.
A jornalista Selam Gebrekidan, que participou da investigação, destacou que a reportagem não começou como um projeto investigativo. A equipe se debruçou sobre milhares de documentos após o governo francês negar pedidos de acesso à informação. O Haiti é o único país obrigado a pagar reparações a seus colonizadores, e a quantia exorbitante que foi enviada à França poderia ter sido utilizada para investimentos em infraestrutura, saúde e educação.
Dados e Repercussões
A série de reportagens, que levou dezoito meses para ser concluída, apresenta um cálculo inédito sobre as perdas econômicas do Haiti. Gebrekidan enfatizou que, embora a pesquisa tenha sido feita em arquivos conhecidos, a nova informação sobre o montante perdido é crucial para entender a situação atual do país. A equipe também abordou como um banco francês drenou recursos do Haiti e financiou a construção da Torre Eiffel.
Historiadores expressaram críticas à abordagem da reportagem, mas Gebrekidan observou que a academia tende a duvidar do trabalho jornalístico. Ela mencionou que teria dado mais atenção às críticas se estas tivessem vindo de historiadores haitianos. A investigação também revelou a destituição do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, que pediu indenizações à França, e a influência de Wall Street na ocupação dos Estados Unidos no Haiti no início do século XX.
Desafios do Jornalismo Atual
Questionada sobre a viabilidade de realizar uma reportagem investigativa semelhante hoje, Gebrekidan afirmou que, embora fosse possível, muitos recursos estão concentrados em coberturas de eventos urgentes, como guerras em outras partes do mundo. Atualmente correspondente do *New York Times* em Hong Kong, Gebrekidan tem uma trajetória marcada por desafios, incluindo a expulsão da Etiópia após cobrir um acidente aéreo.
Ela expressou seu desejo de investir em colegas jornalistas que carecem de recursos, ressaltando a importância do trabalho colaborativo na busca pela verdade. A investigação sobre o Haiti não apenas revela a história de um país, mas também destaca as complexas relações entre colonialismo, dívida e desenvolvimento.
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