- O Banco Central (BC) anunciou um novo modelo de financiamento imobiliário, com testes a partir de 2026.
- Atualmente, 65% dos recursos da poupança são obrigatoriamente destinados ao crédito imobiliário.
- A nova proposta permitirá que, a cada real financiado, o banco possa liberar o mesmo valor da poupança para uso livre por cinco anos.
- O Ministério das Cidades sugere que os juros sejam limitados a 12% ao ano mais a Taxa Referencial (TR) para imóveis de até R$ 1,5 milhão.
- A transição para o novo modelo deve ocorrer de forma gradual, com conclusão prevista em dez anos.
O Banco Central (BC) anunciou a possibilidade de um novo modelo de financiamento imobiliário, com um período de testes a partir de 2026. A proposta foi discutida em reunião com representantes do setor da construção civil, incluindo a Câmara Brasileira da Construção Civil (Cbic) e o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).
Atualmente, 65% dos recursos da poupança são direcionados obrigatoriamente para crédito imobiliário, enquanto 20% ficam como depósito compulsório e 15% podem ser aplicados livremente pelos bancos. A nova lógica permitirá que, a cada real de financiamento habitacional, o banco possa liberar o mesmo valor da poupança para uso livre por cinco anos. Após esse período, será necessário conceder novo crédito para renovar a permissão.
Os representantes do setor expressaram preocupações sobre a complexidade da mudança e seus impactos na disponibilidade de recursos para projetos imobiliários. Para mitigar riscos, foi sugerido um período de testes utilizando 5% dos recursos retidos no BC, que seguiria a nova lógica, enquanto o restante continuaria sob o modelo atual.
Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP, destacou que as mudanças visam modernizar o direcionamento dos recursos para o crédito imobiliário, com a expectativa de aumento na disponibilidade de recursos a custos menores. O BC monitorará os efeitos da liberação dos compulsórios, e os bancos que acessarem esses recursos deverão destinar a verba exclusivamente para financiamentos habitacionais.
Além disso, o Ministério das Cidades propõe que os juros sejam limitados a 12% ao ano mais a Taxa Referencial (TR), aplicáveis a imóveis de até R$ 1,5 milhão. Simulações indicam que a exigência de aplicação dos bancos em crédito imobiliário poderia aumentar de R$ 90 bilhões para R$ 200 bilhões em dois anos. A transição para o novo modelo deve ocorrer de forma gradual, com conclusão prevista em dez anos.
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