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Yuan chinês se valoriza frente ao dólar, mas perde força contra outras moedas

Yuan se valoriza em relação ao dólar, mas enfrenta desvalorização contra outras moedas, gerando preocupações comerciais e possíveis mudanças na política monetária da China

Foto: Reprodução
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  • O yuan chinês valorizou-se 3% em relação ao dólar americano, cotado a 7,118 por dólar, o nível mais forte desde a eleição de Donald Trump.
  • Apesar da valorização frente ao dólar, a moeda se desvalorizou mais de 10% em relação ao euro e 5% contra a libra, aumentando a competitividade dos produtos chineses.
  • Economistas preveem que o yuan pode atingir 7 por dólar até o final do ano, impulsionado por medidas de estímulo econômico da China.
  • A desvalorização do yuan em relação a outras moedas levanta preocupações sobre fricções comerciais, especialmente com a queda das exportações para os EUA.
  • O Banco Popular da China ajusta sua taxa de referência para permitir uma apreciação gradual do yuan, enquanto enfrenta pressões para evitar tensões comerciais adicionais.

O yuan chinês valorizou-se 3% em relação ao dólar americano, enquanto se desvalorizou frente a outras moedas, gerando preocupações sobre tensões comerciais e possíveis mudanças na política monetária da China. O yuan offshore foi cotado a 7,118 por dólar, seu nível mais forte desde a eleição de Donald Trump, refletindo uma queda de mais de 10% do índice do dólar neste ano, o pior desempenho em mais de duas décadas.

Economistas preveem que o yuan pode alcançar 7 por dólar até o final do ano, impulsionado por esforços de Pequim para estimular o crescimento econômico e atrair investimentos. Apesar da valorização em relação ao dólar, a moeda chinesa caiu mais de 10% frente ao euro e 5% contra a libra, o que torna os produtos chineses mais competitivos em mercados fora dos EUA.

Desafios Comerciais

A desvalorização do yuan em relação a outras moedas levanta preocupações sobre fricções comerciais. A participação das exportações chinesas para os EUA caiu para menos de 10% em agosto, enquanto as vendas para a Ásia, União Europeia, África e América Latina aumentaram. Larry Hu, economista-chefe da Macquarie, observa que a taxa de câmbio real efetiva do yuan atingiu seu menor nível desde dezembro de 2011, o que pode intensificar as tensões comerciais.

A expectativa de um corte na taxa de juros pelo Federal Reserve dos EUA também influencia a valorização do yuan. Traders estimam uma chance de 94,2% de que o Fed reduza a taxa em um quarto de ponto percentual. Contudo, essa situação coloca o Banco Popular da China em uma posição delicada, já que cortes nas taxas podem inflacionar o mercado de ações, enquanto a inação pode agravar a desaceleração econômica.

Perspectivas Futuras

O Banco Popular da China tem ajustado sua taxa de referência para permitir uma apreciação gradual do yuan. A última fixação foi de 7,1056 por dólar. Especialistas, como Tommy Xie, da OCBC Bank, projetam que o yuan offshore pode chegar a 7,08 por dólar até o fim do ano, contrariando previsões anteriores que indicavam uma desvalorização para compensar tarifas dos EUA.

A crescente competitividade das exportações chinesas, impulsionada pela depreciação do yuan, pode gerar reações de parceiros comerciais. O governo da Índia, por exemplo, pediu para que os membros do BRICS abordem os desequilíbrios comerciais, enquanto o México propôs aumentar tarifas sobre veículos da Ásia, especialmente da China. A situação exige cautela de Pequim, que pode precisar ajustar sua política cambial para evitar tensões adicionais no comércio global.

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