- O Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, que tem o mandato de estabilidade de preços e máximo emprego, pode adotar um “terceiro mandato” sob a liderança de Stephen Miran.
- Miran sugeriu buscar taxas de juros de longo prazo moderadas durante depoimento ao Congresso, o que gerou preocupações sobre a influência do governo Trump na política monetária.
- Ele foi aprovado no Senado com uma margem apertada de 48 a 47 e participará das reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) nesta semana.
- O mercado espera uma redução da taxa básica em 0,25 ponto percentual, para uma nova faixa de 4% a 4,25% ao ano, devido à fraca criação de empregos.
- A proposta de Miran pode impactar o custo de hipotecas e empréstimos corporativos, levantando questões sobre a independência do Fed e os riscos de inflação.
O Federal Reserve (Fed) dos EUA, tradicionalmente focado em seu “duplo mandato” de estabilidade de preços e máximo emprego, enfrenta novas propostas sob a liderança de Stephen Miran, seu novo diretor. Em depoimento ao Congresso, Miran sugeriu a inclusão de um “terceiro mandato” que buscaria taxas de juros de longo prazo moderadas, gerando preocupações sobre a influência do governo Trump na política monetária.
Miran, que foi aprovado no Senado com uma margem apertada de 48 a 47, já participará das reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) nesta semana. O mercado espera que o Fed reduza a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para uma nova faixa de 4% a 4,25% ao ano, em resposta à fraca criação de empregos nos EUA. Contudo, a menção ao “terceiro mandato” levantou alertas entre investidores, que veem isso como um sinal de que a administração Trump pode tentar controlar a política monetária do Fed.
Veteranos de Wall Street, como Andrew Brenner, interpretam a declaração de Miran como uma tentativa de influenciar os rendimentos dos títulos de longo prazo, o que poderia comprometer a independência do Fed. A proposta de Miran, embora baseada em um trecho esquecido do estatuto do Fed, sugere uma mudança significativa na abordagem da política monetária, que poderia impactar o custo de hipotecas e empréstimos corporativos.
Implicações para o Mercado
A ideia de um Fed mais ativo na manipulação das taxas de juros de longo prazo não é nova, mas sua aplicação em tempos de estabilidade econômica é questionável. Historicamente, intervenções desse tipo ocorreram em períodos de crise, como durante a Segunda Guerra Mundial e a crise financeira de 2008. Atualmente, a inflação está sob controle, e os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão abaixo da média histórica.
A pressão para reduzir os juros de longo prazo pode ser vista como uma estratégia para aliviar o custo do financiamento da dívida pública, que já ultrapassa US$ 37,4 trilhões. Especialistas alertam que essa abordagem pode aumentar o risco de inflação, complicando ainda mais a missão do Fed. A situação é delicada, pois a manipulação das taxas pode gerar efeitos adversos, especialmente em um cenário de crescimento econômico moderado.
A proposta de Miran e a possível influência do governo Trump sobre o Fed levantam questões sobre a independência da instituição e suas futuras diretrizes. O mercado observa atentamente as decisões do Fed, que podem moldar o cenário econômico dos EUA e impactar a economia global.
Entre na conversa da comunidade