- As corretoras argentinas enfrentam perdas significativas devido à queda dos ativos locais e à falta de confiança dos investidores.
- Em setembro, a Comissão Nacional de Valores (CNV) exigiu que as empresas reportassem perdas superiores a 15% do patrimônio líquido, resultando em prejuízos para mais de dez corretoras.
- As receitas de negociação caíram mais de 50%, refletindo a fragilidade do mercado.
- O número de contas de investimento caiu quase pela metade, para cerca de 1,9 milhão em junho de 2025, enquanto o total de corretoras registradas permanece em torno de 280.
- Analistas não veem uma recuperação no curto prazo, com a demanda por crédito corporativo e novos investimentos ainda limitada.
As corretoras argentinas enfrentam um cenário crítico, com perdas significativas devido à queda dos ativos locais e à falta de confiança dos investidores. A situação se agravou em setembro, quando a Comissão Nacional de Valores (CNV) exigiu que as empresas reportassem perdas superiores a 15% do patrimônio líquido, resultando em prejuízos para mais de dez corretoras, incluindo Aurum Valores e RIG Valores.
As receitas de negociação caíram mais de 50% em algumas corretoras, refletindo a fragilidade do mercado. A expectativa de que a presidência de Javier Milei, iniciada em 2023, traria um aumento nos fluxos de capitais não se concretizou. Após quase dois anos de mandato, a atividade no mercado permanece estagnada.
Impacto das Mudanças Econômicas
Um dos principais fatores que afetaram os resultados foi a redução da diferença cambial, que diminuiu a atratividade das operações conhecidas como contado con liquidación (CCL). Com a flexibilização dos controles para pessoas físicas, o volume dessas transações despencou, levando investidores a buscar dólares diretamente nos bancos. Essa mudança também impactou o número de contas de investimento, que caiu quase pela metade, para cerca de 1,9 milhão em junho de 2025.
Apesar da queda no número de contas, o total de corretoras registradas permanece em torno de 280, um número superior ao de mercados como Brasil, México e Chile. A fraqueza da atividade econômica e as altas taxas de juros reais ampliam a incerteza no setor. Pablo Lucero, sócio da corretora Elyca, destacou que é difícil convencer empresas a investir em expansão quando as vendas estão em queda.
Perspectivas Futuras
Analistas não veem uma recuperação no curto prazo. Lucero afirmou que o processo será demorado, sem expectativas de melhora para este ano ou o próximo. A demanda por crédito corporativo e novos investimentos continua limitada, refletindo um ambiente econômico desafiador para as corretoras argentinas.
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