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Índia investe US$ 18 bilhões para se tornar potência na indústria de chips

Governo indiano investe em projetos de semicondutores para criar uma cadeia de suprimentos local e reduzir a dependência de importações

Máquina robótica fabrica um chip semicondutor em um estande durante a Cúpula de Investimentos Advantage Assam 2.0 em Guwahati, Índia (Foto: Reprodução)
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  • A Índia aprovou dez projetos na indústria de semicondutores, com investimento de R$ 1,6 trilhões (cerca de US$ 18,2 bilhões).
  • Os projetos incluem fábricas de fabricação e teste, além de novas políticas para apoiar a produção de componentes eletrônicos.
  • A iniciativa visa reduzir a dependência de importações e criar uma cadeia de suprimentos local.
  • O projeto mais destacado é uma fábrica em Gujarat, em parceria com a Taiwan’s Powerchip Semiconductor Manufacturing Corp, focada em chips para gerenciamento de energia.
  • A Índia busca superar desafios técnicos e infraestruturais para se firmar na indústria global de chips.

A Índia está determinada a se tornar um protagonista na indústria de semicondutores, buscando reduzir sua dependência de importações e estabelecer uma cadeia de suprimentos local. Recentemente, o governo indiano aprovou 10 projetos de semicondutores, com um investimento total de 1,6 trilhões de rúpias (cerca de 18,2 bilhões de dólares). Esses projetos incluem fábricas de fabricação e teste, além de novas políticas para apoiar a produção de componentes eletrônicos.

A iniciativa surge em um contexto global onde a corrida por autossuficiência em semicondutores se intensificou, especialmente após restrições dos EUA à exportação de chips avançados para a China. A Índia, um dos maiores consumidores de eletrônicos do mundo, ainda não possui uma indústria local de chips, o que limita sua participação na cadeia global de suprimentos. O plano do governo, denominado “Missão Semicondutores”, visa criar uma cadeia completa de produção, desde o design até a fabricação e embalagem.

Desafios e Oportunidades

Apesar do investimento significativo, especialistas alertam que a Índia enfrenta desafios consideráveis. Stephen Ezell, vice-presidente da Information Technology and Innovation Foundation, destaca que a criação de um ecossistema robusto requer mais do que algumas fábricas. Ele menciona que fabricantes de semicondutores consideram até 500 fatores antes de decidir por investimentos de bilhões de dólares, incluindo políticas de tecnologia, taxas e legislação trabalhista.

Para impulsionar a demanda local, o governo indiano introduziu um novo esquema que oferece suporte financeiro a empresas que fabricam componentes eletrônicos. Essa estratégia visa criar um mercado interno que possa sustentar a produção de chips. Além disso, a Índia alterou sua abordagem anterior, que priorizava incentivos para unidades de fabricação de chips menores, agora cobrindo 50% dos custos de todos os projetos de fabricação, independentemente do tamanho do chip.

Projetos em Andamento

O projeto mais ambicioso até agora é a construção de uma fábrica de semicondutores de 910 bilhões de rúpias (aproximadamente 11 bilhões de dólares) em Gujarat, em parceria com a Taiwan’s Powerchip Semiconductor Manufacturing Corp. Essa unidade se concentrará na produção de chips para circuitos integrados de gerenciamento de energia e microcontroladores, com aplicações em setores como IA e automotivo.

Além disso, a Clas-SiC Wafer Fab do Reino Unido está colaborando com a SiCSem da Índia para estabelecer a primeira fábrica comercial de semicondutores compostos no estado de Odisha. Esses semicondutores têm aplicações em equipamentos de defesa, veículos elétricos e energia solar.

Com um potencial significativo, a Índia precisa superar obstáculos técnicos e infraestruturais para avançar em suas metas de semicondutores. A criação de instalações de fabricação operacionais e a necessidade de fornecedores de produtos químicos especializados são cruciais para o sucesso do setor. A próxima década será decisiva para a Índia, que busca não apenas entrar na indústria global de chips, mas também desenvolver tecnologias de ponta, como os chips de 2nm.

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