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Se safra de Bordeaux 2025 falhar, En Primeur pode morrer

Edouard Moueix afirma que o sucesso ou fracasso da campanha de En Primeur de 2025 pode definir a solução para a crise de preços em Bordeaux e o fôlego do mercado global

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  • Edouard Moueix, dono da négociant Ets Jean-Pierre Moueix, afirma que a temporada de En Primeur de Bordeaux de 2025 é crucial para o mercado.
  • Ele diz que En Primeur está “ferido” após três campanhas: 2024 foi fraco, 2023 teve volumes altos, e 2022 teve qualidade alta com preços elevados.
  • Prevê que 2025 será uma safra boa a muito boa, com volumes menores, o que pode estimular o mercado; preços devem ficar próximos de 2024, possivelmente com leve alta.
  • Observa diferenças entre Left Bank (elegante e contida) e Right Bank (mais encorpada e suculenta) neste ano, e espera que a campanha seja divulgada cedo, com lançamento antes da Vinexpo em Hong Kong no fim de maio.
  • Reforça que os produtores devem manter preços baixos em um mercado global desafiador e destaca que há uma crise mundial na wine, citando dificuldade de consumo em regiões como EUA e o aumento de hábitos de consumo que favorecem vinhos mais jovens.

Edouard Moueix, proprietário da négociant Ets Jean-Pierre Moueix, avalia com franqueza o impacto da próxima temporada de En Primeur em Bordeaux. Em Londres, onde apresenta seus vinhos a importadores, ele afirma que o êxito do ciclo de 2025 é crucial para o futuro do mercado.

O executivo, que comanda uma operação que distribui rótulos de alto nível a mais de 500 importadores em 87 países, destaca a importância de uma campanha estável e de qualidade para reverter a queda de interesse dos compradores.

Segundo ele, as três últimas safras trouxeram lições distintas: 2024 foi abaixo do esperado, 2023 agradou em volume mas não gerou urgência, e 2022 mostrou vinhos excelentes com preços elevados demais. 2025 poderia oferecer equilíbrio entre qualidade e oferta.

Moueix prevê que 2025 terá vinhos de boa a muito boa qualidade, com volumes menores, o que pode estimular a demanda. Ele acredita que os preços devem permanecer próximos aos de 2024, com possível leve alta atrelada à melhoria de qualidade.

O magnata de Saint-Émilion comenta ainda que a temporada seca de 2025 resultou em cachos menores, o que acentuou diferenças entre a margem esquerda e a margem direita. Segundo ele, a expressão elegante da esquerda contrasta com o corpo mais cheio da direita.

Ele aposta em uma campanha de En Primeur relativamente antecipada, para manter o interesse do mercado. O objetivo é liberar os vinhos até o Vinexpo de Hong Kong, marcado para a última semana de maio.

Moueix afirma que o setor global de vinhos enfrenta uma crise ampla, com pressão sobre preços não apenas em Bordeaux, mas em várias regiões. Ele cita a Burgundy como exemplo de elevação de custos que afeta o consumidor final.

Entre os desafios, o empresário aponta mudanças no comportamento do consumidor, com uma tendência de consumo de vinhos mais jovens. A atual valorização de rótulos de médio a longo prazo é contestada por quem busca passagem rápida de maturação.

Apesar das dificuldades, Moueix defende a importância da Merlot 100% em grande parte das propriedades da família na margem direita. Para ele, a expressão de terroir fica clara quando a Merlot domina a elaboração, sem depender de castas adicionais.

Na visão dele, a prática de abrir vinhos mais jovens ganhou espaço, em parte impulsionada pela Burgundy. Enfatiza que Bordeaux pode acompanhar essa tendência, com vinhos prontos para consumo entre 10 e 15 anos, preservando fruta e complexidade.

O executivo também comenta sobre o mercado na Napa Valley, onde a Domínus Estate, de sua família, opera além do Bordeaux. Ele aponta que a demanda por uvas na região ficou sistêmica, com parte da colheita não sendo vendida no ano anterior.

No recorte político-econômico, Moueix destaca que o Canadá e outras regiões enfrentam retrações, enquanto o mercado dos EUA passa por tensão. A atuação da família reflete uma visão global do comércio de vinho, com foco em qualidade e distribuição.

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