- A demanda global por biocombustíveis pode crescer até quatro vezes até 2050, impulsionada pela segurança energética e redução de emissões.
- Há risco de déficit de até 45% na oferta já em 2040 se o setor não ampliar escala, tecnologia e regulação.
- O estudo apresenta três cenários: conservador (2,5x até 2050), intermediário (3x) e favorável (4x com políticas fortes).
- Desafios incluem falta de padrões globais, barreiras comerciais e custo de produção elevado, especialmente para combustíveis de aviação sustentável (SAF).
- No Brasil, é preciso diversificar matérias-primas, investir em inovação, melhorar a eficiência de uso da terra e recuperar áreas degradadas para ampliar a produção sem desmatar.
A demanda global por biocombustíveis pode crescer até quatro vezes até 2050, conforme estudo da Bain & Company. A pesquisa aponta um cenário otimista com políticas públicas robustas, mas alerta para risco de déficit de até 45% na oferta em 2040 se o setor não avançar.
O levantamento considera três cenários diferentes para a expansão do setor. O mais conservador aponta crescimento de 2,5 vezes até 2050, o intermediário chega a 3 vezes, e o mais favorável chega a 4 vezes, com metas rígidas de descarbonização.
O estudo destaca entraves estruturais e econômicos, como o crescimento do uso de carvão e pobreza energética que afeta mais de 1,2 bilhão de pessoas mundialmente.
Cenários de demanda
No cenário mais conservador, retrocessos regulatórios limitam a expansão. Em políticas atuais, o crescimento ficaria em torno de 3 vezes. Em um ambiente com políticas públicas coordenadas, o consumo pode quadruplicar.
O estudo cita adoção massiva de combustíveis sustentáveis de_aviação SAF e cortes de emissões no transporte marítimo como condições para o avanço mais rápido, com mandatos de mistura obrigatórios.
Desafios e custos
Entre os principais entraves estão a falta de padrões globais para medir pegada de carbono e certificar matérias-primas, o que cria barreiras comerciais e reduz a previsibilidade para investidores.
Medidas protecionistas em mercados-chave também elevam a incerteza sobre a demanda futura. O custo de produção do SAF pode ficar duas a três vezes acima do querosene convencional.
Regulamentação, incentivos e estabilidade regulatória são apontados como necessários para viabilizar investimentos, que podem alcançar bilhões de dólares, segundo a avaliação da Bain.
Perspectiva global e brasileira
A pesquisa defende agenda global integrada, com abertura comercial, padronização de normas, metas conjuntas para aviação e transporte marítimo, além de instrumentos financeiros para o setor.
No Brasil, o estudo recomenda diversificar matérias-primas, investir em inovação e aumentar a eficiência do uso da terra. A recuperação de cerca de 100 milhões de hectares de áreas degradadas é citada como oportunidade.
Iniciativas para estimular culturas energéticas alternativas podem ampliar a produção sem pressionar o desmatamento, segundo a Bain. O texto ressalta a importância de políticas estáveis para atrair investimentos no longo prazo.
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