- Em seu décimo ano, o estudo Bordeaux 2.0 da Wine Lister acompanha 134 vinhos de Bordeaux e ouviu 74 líderes do comércio global do vinho.
- A confiança no comércio subiu para 6,4 em uma escala de zero a dez, ante 5,9 no ano anterior.
- Entre os vinhos analisados, 117 tiveram aumento de confiança e apenas oito registraram queda; 14 vinhos tiveram alta de mais de um ponto.
- No que diz respeito aos preços, os últimos cinco lançamentos en primeur mostram quedas: 2021 (-27%), 2020 (-19%), 2022 (-17%), com 2023 (-4%) abaixo do preço mínimo e 2024 estável.
- O relatório aponta caminhos para saída da crise, como marketing experiencial e enoturismo, mantendo qualidades tradicionais de Bordeaux; a região enfrenta uma encruzilhada entre tradição e mercado global moderno.
A 10ª edição do estudo Bordeaux 2.0, da Wine Lister, apresenta um quadro misto na véspera do en primeur 2025. A confiança do comércio se recupera, mas o histórico de preços aponta quedas de dois dígitos. O levantamento analisa 134 vinhos de Bordeaux e ouve 74 diferentes executivos do setor.
O estudo aponta recuperação no humor do mercado de vinhos finos. A confiança média no comércio subiu para 6,4 em uma escala de 0 a 10, ante 5,9 no ano passado. Em relação a 2024, o índice ficou levemente acima (6,2).
Entre os vinhos analisados, 117 apresentaram aumento na confiança de compra, enquanto apenas 8 recuaram. Quase metade dos cortes superiores a 1 ponto ocorreu em 14 rótulos, como sinal de mudança gradual no sentimento do mercado.
Apesar da melhora na confiança, os preços dos vinhos de Bordeaux seguem desafiadores. A Wine Lister analisou dados dos últimos cinco ciclos de en primeur (2020-2024) e comparou com preços de varejo mundial. A base de comparação britânica registra preços mais baixos.
A região sofreu quedas históricas desde o lançamento dos en primeur. Em 2021, o preço de mercado médio caiu 27% em relação ao lançamento. 2020 e 2022 registraram quedas de 19% e 17%, respectivamente. 2023 ficou 4% abaixo e 2024 não registrou variação.
Entre os 118 vinhos para os quais há dados confiáveis, a queda média desde o en primeur é de 13% nos cinco ciclos. O resultado é pior do que o registrado em 2025, de -5%. Os piores desempenhos ficaram com Le Clarence de Haut-Brion (-25%), Bélair-Monange (-26%) e La Mission Haut-Brion (-26%).
O estudo também discute caminhos para redução do declínio de preços, além de ajustes em preço e volume de safras. A pesquisa baseia-se em CEO, diretores e chefes de departamentos de importação, varejo, casas de leilões e participantes de La Place de Bordeaux.
Três tendências aparecem como relevantes para o futuro: demanda por vinhos prontos para beber jovens, com menos extração e menor carvalho; marketing experiencial e enoturismo; e a consolidação de narrativas das próprias propriedades, como elemento de diferenciação junto ao consumidor.
Especialistas entrevistados ressaltam que Bordeaux não pode abrir mão de qualidades centrais da região, mesmo frente mudanças de gosto. Há consenso de que marketing de experiência e histórias por trás de cada estate fortalecem a demanda atual.
A conclusão indica que Bordeaux atravessa uma encruzilhada, entre manter tradições e atender a um mercado global moderno. O relatório sugere que a estratégia está traçada, as vinhas evoluem e a região busca traduzir seu patrimônio em vinhos alinhados ao público contemporâneo.
Nas próximas semanas, os acontecimentos de mercado poderão indicar se o otimismo retorna de forma sustentável ou se ajustes adicionais serão necessários para a temporada de en primeur 2025.
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