- Um alerta, em dezembro, apontou que a China depende fortemente de hélio importado, com mais de 83% vindo de fora.
- A guerra entre os EUA, Israel e o Irã desencadeou a pior crise de hélio em décadas, com preços que chegaram a dobrar e suprimentos reduzidos; o Catar, que fornece cerca de um terço da demanda mundial, enfrenta interrupções na produção.
- A escassez pode impactar fábricas de chips e atrasar exames médicos que salvam vidas, gerando efeitos em cascata na economia ligada à tecnologia e à saúde.
- Países asiáticos avaliam impactos e estoques: Coreia do Sul afirma ter estoques para cerca de quatro meses; Taiwan coordena com fabricantes, que possuem cadeias diversificadas e estoques adequados; a China não divulga estoque público.
- Pequim deve intervir para priorizar uso médico e ampliar produção doméstica de hélio, mas aumentar a oferta leva tempo, estimando-se um prazo de um a dois anos para expansão significativa.
A crise do hélio na China se agravou devido a interrupções globais na oferta, elevando preços e ameaçando cadeias produtivas de saúde e tecnologia. O sinal veio de um alerta anual feito por pesquisadores de grandes produtores do país, que destacaram a vulnerabilidade da dependência externa.
A guerra entre EUA, Israel e Irã desencadeou uma série de desdobramentos para o mercado mundial de hélio, com o Catar, maior fornecedor, sofrendo interrupções. Além disso, a China depende fortemente de importações para suprir cerca de 83% do consumo, elevando o peso de choques geopolíticos sobre a indústria.
Na prática, fábricas de semicondutores, equipamentos médicos e sistemas de resfriamento sofrem com o encarecimento do gás incolor e inodoro, cuja alta puridade é essencial para diversas etapas de produção. Analistas já debatem riscos de fechamentos ou atrasos na entrega de itens críticos.
Em termos de efeito local, o preço do hélio de alta pureza dobrou na China no último mês. Companhias chinesas apontam que o estoque está restrito e que alguns clientes estão sendo atendidos apenas para contratos já firmados, sem aceitar novos pedidos.
Como consequência, governos asiáticos, incluindo Coreia do Sul e Taiwan, avaliam impactos sobre fabricação de chips, com planos de estoque e coordenação entre fabricantes. A China, por sua vez, não tornou públicos seus estoques nem divulga dados sobre suprimento interno.
Outro eixo relevante é a logística: a disponibilidade de navios-tanque criogênicos para transporte de hélio está limitada, agravando a dificuldade de reposição em curto prazo. Analistas destacam que muitos navios estão no Golfo Pérsico, reduzindo a capacidade de distribuição mundial.
Diante do cenário, especialistas indicam que Pequim deve priorizar o uso médico de alta prioridade, estimulando a alocação de reservas para setores sensíveis. A produção doméstica continua como objetivo estratégico, ainda que sua expansão demande tempo e investimentos.
A visão de longo prazo aponta para uma estratégia de redução de riscos e aumento da resiliência na cadeia de suprimentos. Pesquisadores haviam sugerido desde dezembro a intensificação da produção interna e a exploração de novas minas de hélio para reduzir dependência externa.
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