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O que ainda não sabemos sobre os negócios verdes da Amazônia

Investimentos e anúncios não refletem na prática: a bioeconomia da Amazônia permanece estagnada, e a falta de dados compromete políticas e ações

Foto do autor Salo Coslovsky
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  • Em 2024, o Brasil importou cacau da Costa do Marfim, dendê da Colômbia e látex da Guatemala, totalizando US$ 539 milhões, enquanto a produção de frutas na Amazônia cai.
  • Embora exista exportação de castanha, café conilon e pimenta do reino, grande parte desses lotes vai para países que agregam valor, tornando o Brasil principalmente fornecedor de matéria-prima.
  • Na Amazônia Legal, apenas 12 em cada 100 residentes têm emprego formal no setor privado, e desses, apenas 3 possuem diploma universitário.
  • Diagnósticos frequentes defendem pacotes integrados de crédito, regularização fundiária, estradas e assistência técnica, mas nenhum elemento isolado basta para resolver o desafio.
  • Casos como o da Bolívia, que teve coordenação diante de exigências sanitárias da União Europeia, mostram que a chave é organização institucional; pesquisas e investimentos de bancos de desenvolvimento também são citados como parte da solução.

O debate sobre negócios verdes na Amazônia aponta para um cenário mais complexo do que a visão de crescimento rápido. Embora haja muitos anúncios e eventos de fomento, dados recentes indicam estagnação relativa no setor. Em 2024, o Brasil importou cacau da Costa do Marfim, dendê da Colômbia e látex da Guatemala, totalizando US$ 539 milhões.

A produção de frutas frescas como maracujá, banana e manga na Amazônia caiu, mesmo com crescimento em outras regiões do país. Já a exportação de castanha, café conilon e pimenta do reino ocorre em parte para países que agregam valor e revendem aos consumidores finais. O resultado é produção abaixo do consumo interno, com base produtiva em declínio.

Essa realidade se reflete nos empregos formais: segundo o Amazônia 2030, apenas 12 de cada 100 habitantes da Amazônia Legal têm emprego formal no setor privado, e apenas 3 possuem diploma universitário. No restante do Brasil, esses índices são superiores, evidenciando desigualdade estrutural.

Diante disso, proliferam diagnósticos e propostas de políticas públicas: crédito, regularização fundiária, estradas, assistência técnica, isenções fiscais, garantias de preço, apoio a pequenas e médias empresas, pesquisa e capacitação. Especialistas ressaltam que pacotes integrados costumam ser mais eficazes que medidas isoladas.

Desafios e lições

A experiência da Bolívia com castanhas mostra que a escolha de políticas não basta; é preciso coordenação entre governo, setor privado e produtores. Na União Europeia, regras sanitárias mais rígidas favoreceram a ascensão boliviana, ao passo que no Brasil houveram dificuldades de alinhamento entre segmentos. Pesquisas mostram que lidar com a “confusão das vontades” pode acelerar o desenvolvimento.

Parte do questionamento atual envolve o papel de instituições públicas e organismos de fomento. O BNDES, por exemplo, investe em restauração florestal e cadeias produtivas da Amazônia, mas é preciso avaliar quais iniciativas geram mais resultados. Outros bancos de desenvolvimento e organizações internacionais também atuam no tema, com enfoques variados.

Fontes consultadas para a análise destacam a necessidade de pesquisas de campo e dados comparáveis para fundamentar políticas. A ideia é identificar caminhos eficientes e replicáveis, evitando soluções únicas que não considerem especificidades regionais. O objetivo é avançar com base em evidências, não em promessas.

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