- O bloqueio em Ormuz levou empresas a atravessar pelo Canal do Panamá com uma taxa extra, disputada por vagas em leilão, chegando a valores de até US$ 4 milhões.
- O preço médio para atravessar o canal ficou entre US$ 300 mil e US$ 400 mil, e o custo extra médio subiu para cerca de US$ 425 mil.
- Com a rota pelo Estreito de Ormuz praticamente fechada, navios redirecionaram cargas pelo Panamá, elevando a demanda por vagas e gerando novos ganhos para o canal.
- Houve casos de altas negociações: uma empresa pagou US$ 4 milhões adicionais; outras petroleiras pagaram mais de US$ 3 milhões para acelerar travessias.
- O administrador Ricaurte Vásquez prevê possível aumento futuro dos custos se o conflito continuar, enquanto o Irã apreendeu, segundo relatos, uma embarcação com bandeira panamenha no estreito.
O bloqueio em Ormuz elevou drasticamente o custo de passagem pelo Canal do Panamá. Empresas pagaram até US$ 4 milhões extras para atravessar a via frente à quase paralisação do Estreito de Ormuz, segundo a Autoridade do Canal do Panamá. A demanda por vagas prioritárias nos leilões aumentou diante do risco geopolítico.
Antes da escalada, a travessia pelo canal seguia uma tarifa fixa com reservas. Sem reserva, navios podiam disputar vagas em leilões, pagando o maior lance. Com o estreito quase fechado, os custos adicionais dispararam e redes globais de suprimentos migraram parte das operações para o Panamá.
Mudança de cenário operacional
O preço médio para atravessar o canal oscila entre US$ 300 mil e US$ 400 mil por navio, variando pela embarcação. Em reserva antecipada, o adicional era de US$ 250 mil a US$ 300 mil; nas últimas semanas, o custo extra médio rondou US$ 425 mil.
Ricaurte Vásquez, administrador do canal, afirmou que uma empresa pagou US$ 4 milhões além da tarifa para redirecionar um navio de combustível devido à tensão no Oriente Médio. O navio, destinado à Europa, acabou indo a Singapura por falta de abastecimento.
Outras petroleiras teriam desembolsado mais de US$ 3 milhões acima da tarifa de travessia para acelerar a passagem frente ao aumento do preço do petróleo. Não houve acúmulo de navios no canal, segundo a administração, apenas ajustes de última hora e maior urgência.
Repercussões e impactos
A crise geopolítica também envolve o Irã, que, em paralelo, divulgou a apreensão de uma embarcação com bandeira panamenha no Estreito. O governo do Panamá qualificou o fato como ataque à segurança marítima e destacou a necessidade de manter a navegação aberta internacionalmente.
As autoridades panamenhas ressaltam que o repasse de custos não representa uma tarifa padrão, mas um pedágio temporário suportado pelas empresas. A situação pode manter-se estável apenas se houver continuidade ou solução para o conflito na região.
Noriega indicou que os valores pagos pelas empresas podem subir ainda mais caso o conflito persista, especialmente diante da alta nos preços do petróleo, que atingiu níveis acima de US$ 107 o barril Brent em determinado momento.
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