- A Serra Verde foi adquirida pela americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões, passando a integrar uma gigante ocidental de terras raras.
- A operação amplia o suprimento no Ocidente, com acesso a tecnologias de processamento e previsão de produzir 6,4 mil toneladas de carbonato de terras raras até o fim de 2027.
- O acordo prevê um contrato de compra de 15 anos (offtake) com preços mínimos para os quatro elementos principais (neodímio, praseodímio, térbio e disprósio) e mira 50% da produção de óxidos fora da China a partir de 2028.
- A negociação envolve quatro países (Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido) e inclui aquisição recente de uma empresa no Reino Unido para produção de ligas e ímãs, integrando também a mina Round Top-Sierra Blanca no Texas.
- A Serra Verde emprega cerca de 1,5 mil pessoas e planeja ampliar a contratação em aproximadamente 500 vagas, fortalecendo Minaçu (Goiás) e o polo de mineração.
A Serra Verde foi vendida para a americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões, abrindo portas para o Brasil integrar uma cadeia global de terras raras. A operação amplia o acesso a tecnologias de processamento fora da Ásia.
A aquisição transforma a Serra Verde em parte de um grupo que busca reduzir a dependência da China no fornecimento ocidental de terras raras, com foco em cartografar e expandir a produção de óxidos e ímãs.
A negociação inclui criação de uma trading independente com contratos de compra garantida por 15 anos, chamada de off-take, e preços mínimos para neodímio, praseodímio, térbio e disprósio. Acordo visa estabilizar renda do negócio.
Detalhes do acordo e impactos
Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde, afirma que o negócio cria um hub global de terras raras e permite acesso a tecnologia de separação em escala, não disponível no Brasil hoje. A transação é examinada por órgãos reguladores.
A USA Rare Earth comprou 12% da Carest, empresa francesa de separação, e adquiriu ativos no Reino Unido e na França. A operação reuniu mina, plantas de carbonato e laços com fornecedores de ligas e imãs.
A estrutura prevê que, a partir de 2028, a Serra Verde forneça 6,4 mil toneladas de carbonato de terras raras. A produção da empresa combinada deve chegar a patamares elevados de EBITDA, com atuação em várias etapas da cadeia produtiva.
Análise de mercado e tecnologia
A cadeia ocidental passa a ter acesso a tecnologias de separação ainda não escaladas fora da Ásia. Enquanto a China domina o processamento, o acordo busca diversificar o suprimento de óxidos estratégicos para setores industriais e de defesa.
Os preços mínimos previstos no acordo garantem geração de caixa estável, reduzindo a volatilidade do mercado de terras raras, que historicamente é sensível a choques regulatórios e geopolíticos.
Estrutura da nova empresa e impactos locais
A Serra Verde manterá a operação no Brasil com a liderança de seu CEO atual, que migrará para o conselho da nova empresa. A transação está prevista para conclusão no terceiro trimestre, com uma Nasdaq-listed entity adicionando visibilidade global.
A nova estrutura inclui uma Special Purpose Vehicle (SPV) para comercialização, que distribuirá produtos para EUA, Europa e outros parceiros, com restrições à Ásia. O Brasil passa a atuar como fornecedor estratégico no Ocidente.
Perspectivas e investimentos
A DFC, agência financeira americana, já havia concedido financiamento para a Serra Verde em fevereiro, criando condições para expansão. Parte do dinheiro será utilizado para refinanciar dívidas, melhorar processos e avançar na planta industrial.
A empresa planeja contratar mais 500 funcionários, elevando o quadro para cerca de 2 mil no Brasil, com ênfase em Minaçu, Goiás. Atualmente, cerca de 1,5 mil já atuam na operação.
Benefícios para o Brasil
O acordo cria um novo mercado de terras raras no Brasil, promovendo previsibilidade de preços e sustentabilidade financeira por décadas. Além disso, amplia a participação brasileira na cadeia produtiva, desde a mineração até a fabricação de ímãs.
A Serra Verde avalia impacto positivo na formação de tecnologia e de profissionais especializados no tema, fortalecendo parcerias com universidades e centros de pesquisa. A iniciativa pode abrir caminho para mais projetos nacionais no setor.
Entre na conversa da comunidade