- O vinho branco começa a ganhar espaço no Vietnã, que hoje consome menos de 1% de álcool na forma de vinho, com expansão prevista de 2% ao ano entre 2024 e 2029.
- Em 2023–2024, o peso do vinho branco aumentou 8,6% na participação total de consumo de vinho no país.
- O Vietnã ainda é dominatedo por cerveja e bebidas destiladas. O vinho representa 0,34% do consumo total de álcool.
- O consumo de vinho está concentrado em Hanói e Ho Chi Minh City, com as cidades mostrando perfis diferentes de clima e demanda: Hanói tem tradição de vinhos tintos; Ho Chi Minh City favorece vinhos mais refrescantes, incluindo brancos.
- A ascensão do vinho branco tem relação com o crescimento da gastronomia de alto nível no Vietnã, com menus de harmonização cada vez mais comuns e variedade maior de estilos disponíveis.
Vietnam registra queda significativa no consumo de vinho branco, ainda que em uma fatia pequena do mercado alcoólico. O vinho representa 0,34% do consumo total no país, mas há sinais de crescimento, com projeção de CAGR de 2% entre 2024 e 2029.
A mudança é impulsionada pela classe média, que representa 15% dos 100 milhões de habitantes, além de residentes internacionais e retornados Viet Kiêu. O aumento do interesse aponta para evolução de hábitos em duas frentes: consumo e hospitalidade.
Entre os players, a Enoteca Vietnam, braço asiático da Enoteca Co. Ltd. controlada pela Asahi, destaca o crescimento do vinho branco como tendência dominante no mix disponível para o público local.
Dois polos de consumo
O hábito de beber vinho ainda é mais comum em Hanoi, que mantém uma tradição mais conservadora e uma demanda maior por vinhos tintos. Em Ho Chi Minh City, Centro Econômico do país, o clima tropical favorece vinhos mais refrescantes, incluindo brancos.
Essa dinâmica se reflete na cena gastronômica. Restaurantes de alto padrão em HCMValdo frequentemente associam a carta de vinhos brancos à identidade de menus sofisticados. Concepções de harmonização têm ampliado a presença de brancos, espumantes e vinhos de estilo leve.
Mudança no paladar e no serviço
A demanda por brancos é alimentada pela renovação do cardápio de restaurantes finos, com foco em preparações delicadas que pedem bebidas que elevam o prato sem dominá-lo. Os estabelecimentos destacam que vinhos brancos costumam complementar bem pratos complexos.
No varejo, a oferta amplia-se com importadores trazendo opções diversas, desde rótulos clássicos até produtores mais experimentais. Em grandes cidades, o acesso ficou mais facilitado, fortalecendo a escolha por estilos aromáticos e acessíveis do dia a dia.
O que está no vidro
A procura não é apenas por marcas, mas por estilo. As categorias em ascensão incluem brancos de Borgonha, Pinot Gris e Riesling, com menor ênfase em Sauvignon Blanc. Esse mix sugere uma busca por vinhos perfis aromáticos e versáteis para o consumo cotidiano.
A região de produção televisa maior diversidade de estilos, o que ajuda sommeliers e consumidores a explorar sem ficar presos a rótulos consolidados. O segmento de vinhos brancos tende a ocupar espaço crescente em cartas e compras domésticas.
Ceticismo e perspectivas
Especialistas entrevistados destacam que ainda é cedo para confirmar uma virada radical. Alguns profissionais observam interesse crescente, mas enfatizam cautela ao interpretar a adesão ao vinho branco como tendência consolidada.
Num mercado fortemente tradicional, o equilíbrio entre tintos e brancos segue flutuando conforme sazonalidade, preço e disponibilidade. A evolução do paladar pode depender também da continuidade da oferta de rótulos variados.
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