- Evento em Londres, em 23 de abril, reuniu jovens profissionais da indústria de bebidas para networking e coleta confidencial de dados.
- Noventa e oito por cento dos presentes disseram estar comprometidos com uma carreira de longo prazo no setor; 48% se mostraram otimistas desafiador, 41% cautelosamente otimistas, 7% esperançosos e 3% com sensação de incerteza.
- Mesmo com o otimismo, 60% já cogitaram deixar o setor nos últimos 12 meses e 30% se identificam como “lifers” (nunca pensaram seriamente em sair).
- Em relação a salários, 58% discordam que a paixão justifique salários mais baixos; 35% dizem que é parcialmente aceitável, mas vem ficando mais difícil; 8% afirmam amar o que fazem.
- Principais entraves à progressão são a falta de próximos passos (39%) e entraves da “old guard” (39%), enquanto 46% apontam visão e inovação como habilidades-chave para futuras lideranças.
A pesquisa realizada no evento inaugural Young Leaders da Fero revela que profissionais jovens do setor de bebidas continuam comprometidos com carreira de longo prazo, mesmo com preocupações sobre salários, evolução na carreira e inclusão. O estudo foi apresentado em Londres durante o evento realizado pela Fero.
O encontro ocorreu em 23 de abril, no espaço da Fero em Carnaby Street, reunindo jovens profissionais de todo o Reino Unido para networking, debates e um levantamento confidencial feito na hora. Os dados foram coletados de forma anônima durante o evento.
Segundo os resultados, 89% dos presentes pretendem seguir na indústria de bebidas a longo prazo. Em relação ao caminho de 20 anos, 48% disseram ser “desafiador, mas não quebrado”, 41% foram “moderadamente otimistas”, 7% enxergam o futuro como “promissor” e 3% se mostraram “tensionados e incertos”. Nenhum respondeu que quer sair imediatamente.
Apesar da visão contida, boa parte dos participantes já considera deixar o setor. Ao ser questionado sobre a possibilidade de trocar a indústria de bebidas por outro setor nos últimos 12 meses, 60% admitiram ter considerado seriamente, 10% com frequência e 30% afirmaram serem leitores de longo prazo, sem considerar abandonar o ramo.
Os salários emergem como tema central. Quando indagados se o aspecto de paixão justifica salários geralmente mais baixos, 58% responderam que não, que o equilíbrio está desfavorável; 35% disseram que é aceitável, porém cada vez mais difícil; apenas 8% afirmaram amar o que faz. O levantamento aponta um escrutínio crescente sobre o que a Fero chamou de “modelo de remuneração informal”.
Caminhos de carreira e liderança
A maior dificuldade apontada para evolução profissional foi a ausência de papéis claros de próximo passo, citada por 39% dos entrevistados, seguida por barreiras de acesso impostas pela antiga “guarda” e networking, mencionadas por outros 39%. A relação entre salário e custo de vida foi indicada por 21%, enquanto qualificações caras, como WSET ou MW, não foram vistas como principal entrave.
Quase metade dos jovens (46%) indicou visão e inovação como habilidades mais importantes para liderar em 2026, seguida de perspicácia comercial (32%) e gestão de pessoas (18%). Conhecimentos técnicos ficaram em 4%. O resultado sugere prioridade por competências amplas de negócios em vez de expertise puramente técnica.
Inclusão e sustentabilidade em discussão
Sobre diversidade e inclusão, 50% afirmaram que o progresso tem sido lento e superficial, 31% apontaram avanços significativos e 19% relataram pouca ou nenhuma mudança. Nenhum pesquisado disse ter visto transformação completa. Em relação à sustentabilidade, 67% consideram esse atributo relevante ao escolher onde trabalhar nos próximos cinco anos, enquanto 26% veem como “bom de ter” e 7% consideram irrelevante para a decisão.
A pesquisa também sondou o interesse em mentoria. O desejo por orientação de carreira ficou em primeiro lugar, com 39% citando mentoria, seguido por socialização com pares (32%). Habilidades de negócios, como P&L e logística, foram apontadas por 14%, assim como o acesso a decisão-makers.
Perspectivas e próximos passos
Sobre a posição do Reino Unido como hub global de bebidas até 2035, as opiniões ficaram divididas: 43% dizem que diminuirá, 43% acreditam que permanecerá como hoje e 14% esperam estabilidade ou fortalecimento. Em relação ao futuro do vinho, inovação foi o tema mais citado (22%), com menções a conexão, diversificação e novas regiões, cada uma com 6%.
O chefe executivo da Fero, Mitch Fowler, afirmou que a adesão ao evento em dia de semana, mesmo durante greve de transporte, indica o interesse dos jovens. Ele destacou a necessidade de oferecer oportunidades reais, além da paixão, com salários justos e caminhos claros. Fowler ressaltou ainda que os jovens já demonstram perfil comerciante e liderança.
A Fero informou que a iniciativa Young Leaders continuará como um encontro trimestral, com foco em mentoria e networking entre pares. A próxima edição deverá ser anunciada em breve.
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