- O crescimento moderno depende, principalmente, de ideias e conhecimento, não apenas de capital e trabalho, conforme a visão de Romer.
- Ideias permitem uso mais eficiente dos recursos e apresentam custos marginais baixos para sua reprodução, gerando externalidades que beneficiam outros agentes.
- A inovação envolve altos custos iniciais, mas seus benefícios podem se espalhar, o que justifica mecanismos de proteção como patentes e direitos de propriedade intelectual.
- A circulação e difusão do conhecimento, conforme Mokyr, são essenciais para transformar ideias em crescimento econômico real.
- Países que investem em P&D, capital humano e infraestrutura científica costumam ter maior produtividade; para o Brasil, é crucial fortalecer educação básica, formação de capital humano e pesquisa.
A economia das ideias é apresentada como o principal motor do crescimento no século XXI. O modelo de Solow, dos anos 1950, mostrou que mão de obra e capital impulsionam a economia, mas sem progresso tecnológico o crescimento estagna. Paul Romer, na década de 1980, deslocou o foco para o conhecimento, tecnologia e métodos como insumos criadores de valor. Ideias podem ser replicadas a custo marginal próximo de zero.
As externalidades do conhecimento geram benefícios para terceiros, o que amplia o impacto das inovações. Imitação, aprendizado e difusão elevam a produtividade, mas reduzem o retorno privado da inovação em relação ao social. Assim, o equilíbrio entre investimento privado e social torna-se central na análise econômica.
Essa lógica dá origem a uma estrutura de custos típica da economia do conhecimento: altos custos fixos e baixos custos marginais. A proteção da propriedade intelectual — patentes, direitos autorais — cria uma cunha entre preço e custo marginal, sustentando o progresso tecnológico no longo prazo.
Circulação de conhecimento e políticas públicas
A literatura econômica destaca que o progresso depende da circulação de ideias, não apenas da criação. A troca entre inventores, artesãos e empreendedores foi decisiva na Revolução Industrial inglesa, segundo Joel Mokyr, prêmio Nobel 2025. Difusão amplia prosperidade quando transforma ideias em bens e serviços.
Dados internacionais indicam que economias com forte investimento em P&D, capital humano e infraestrutura científica apresentam maior produtividade. Países como Coreia do Sul e os EUA lideram em inovação, reforçando o papel estratégico do conhecimento para o crescimento sustentável.
Implicações para o Brasil
Para o Brasil, a política pública deve priorizar gerar, absorver e difundir conhecimento. Avanços na educação básica, formação de capital humano qualificado e fortalecimento de universidades e institutos de pesquisa são cruciais. A circulação eficiente de ideias é tão relevante quanto a produção de insumos tradicionais.
No cenário global, a circulação de ideias é ampla e não se restringe a fronteiras. O conhecimento, diferente de recursos naturais, pode beneficiar várias economias simultaneamente. O crescimento sustentável depende de criar, aplicar e difundir ideias.
*Giacomo Balbinotto Neto* é professor no PPGE/UFRGS desde 2000 e atua como revisor técnico de livros de economia.
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