- A pesquisa da CEPI da FGV Direito SP mostra uso frequente de IA generativa no setor jurídico brasileiro, com cerca de 80% dos profissionais usando com alta frequência e 58% diariamente, principalmente para pesquisa, automação de tarefas, organização de informações e rascunho de documentos.
- 75% utilizam IA tanto em temas que dominam quanto em temas que não dominam; 5% usam apenas para temas que não dominam.
- 52% não percebem mudanças relevantes na rotina de trabalho, 28% indicam redução de tarefas e 13% apontam aumento da carga de trabalho.
- Apenas 20% das organizações têm framework formal de governança de IA; 46% não contam com especialistas ou comitês para orientar a implementação, e 77% não atingiram o ROI ou não sabem informar sobre ele.
- Principais desafios incluem custo de ferramentas especializadas e desigualdade entre grandes e pequenas organizações; 29% não participaram de capacitação; regulação envolve recomendações da OAB (001/24) e o PL 2238/23, ainda em andamento; 80% afirmam que impactos ambientais não afetam o uso atual.
A pesquisa do CEPI, núcleo da FGV Direito SP, mostra uso acelerado de IA generativa no setor jurídico brasileiro. Cerca de 80% dos profissionais entrevistados usam as ferramentas com alta frequência, sendo 58% deles usuários diários. A principal função é pesquisa jurídica e automação de tarefas repetitivas.
A amostra envolveu 495 profissionais, com respostas coletadas por meio de levantamento bibliográfico, entrevistas semiestruturadas e survey. Entre os motivos para o uso, destacam-se organização de informações e rascunho de documentos, além da melhoria na produtividade. A maioria reconhece riscos de revisão humana.
Aprofundando, 75% dos usuários afirmam aplicar IA em temas tanto dominados quanto não dominados pelo profissional. Ainda assim, 7% da amostra utiliza pouco ou nada a IA, citando barreiras como falta de conhecimento, acesso restrito a ferramentas e custos de tempo de revisão.
A pesquisa aponta que ampliar a adoção depende de governança, métricas e investimento em pessoas. Apenas 20% das organizações declararam ter um framework formal de governança de IA, e 46% não contam com especialistas ou comitês dedicados. A lacuna de mensuração de retorno também persiste para 77% dos respondentes.
No campo da ferramenta comum, 78% utilizam soluções pagas, com 22% recorrendo a versões gratuitas. Embora ferramentas jurídicas especializadas gerem percepção de maior segurança, seu custo pode acentuar desigualdades entre grandes e pequenas organizações.
Um ponto de atenção destacado é o risco regulatório e ético. A pesquisadora Ana Paula Camelo enfatiza a necessidade de supervisão humana, verificação e responsabilidade profissional, com capacitação contínua para uso responsável das tecnologias.
No mercado de trabalho, 29% manifestam preocupação com substituição de funções pela IA, mas a visão dominante é de reconfiguração de funções e competências, não de subtração de vagas. Profissionais em início de carreira e atividades administrativas podem ser mais impactados, exigindo pensamento crítico, ética, gestão de risco, comunicação e liderança.
A capacitação surge como gargalo relevante. Embora haja iniciativas, muitos respondentes avaliam a formação insuficiente ou pouco aprofundada. Além disso, há relatos de ausência de incentivo institucional para o uso de IAs, mesmo quando há treinamentos disponíveis.
No aspecto regulatório, a OAB e o PL 2.338/23 são citados como avanços, mas faltam disseminação prática e mecanismos de acompanhamento. Sobre impactos ambientais, 80% não veem efeito no uso atual, e metade admite possível limitação futura, sem impacto imediato. A pesquisadora aponta que custos ambientais ainda não integram práticas de ESG.
A metodologia envolveu mais de 40 entrevistas com atores do ecossistema jurídico e o survey com 495 respondentes, oferecendo um retrato detalhado da adoção e dos desafios da IA no direito brasileiro.
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