- O Brasil é potência agrícola e responde por exportações expressivas, mas grande parte da riqueza vem de commodities com baixo valor agregado.
- A demanda não é transformar produção em marcas globais; o país exporta matéria-prima e importa valor agregado, processamento e branding.
- Casos como o café mostram que o Brasil não sempre transforma produção em premium: marcas estrangeiras costumam contestar o reconhecimento da origem.
- O principal desafio é comunicação: o Brasil reduz a imagem a escala produtiva, enquanto ainda não consolida uma reputação de inovação tecnológica no agro.
- A sugestão é fortalecer marcas, ampliar industrialização e indicar garantias geográficas para capturar mais valor, segundo estudo divulgado pela CNN Brasil com a OnStrategy (11 a 17 de maio).
A produção agrícola brasileira avançou de modo expressivo nas últimas décadas, consolidando o país como uma potência global. Mesmo assim, o valor gerado na cadeia não acompanha o tamanho da produção. A discussão aponta para a necessidade de transformar produção em marcas, inovação e presença internacional.
Em termos práticos, o Brasil exporta volumes expressivos de commodities como soja, milho, algodão, carne e café, mas tende a importar maior valor agregado. A tecnologia brasileira, incluindo a Embrapa, elevou produtividade e exportações, porém o ganho econômico fica concentrado na etapa inicial da cadeia.
Além da produção, o desafio está no posicionamento de mercado. A narrativa de origem, tradição e identidade internacional ainda não acompanha a dimensão tecnológica do agronegócio brasileiro. Casos de produtos com indicação geográfica mostram potencial, mas são exceções.
Desempenho e posicionamento
Países europeus já exploram a venda de origem e cultura, agregando valor por meio de marca e storytelling. O Brasil, embora reconhecido pela eficiência, ainda precisa consolidar uma imagem de potência tecnológica agrícola, não apenas de volume.
Quando o produto consegue associar origem e identidade, o desempenho internacional aumenta. Cafés especiais, vinhos nacionais e cacau premium demonstram maior valor agregado em mercados externos, em comparação com commodities.
Desafios de comunicação e reputação
A comunicação externa é um ponto crítico. Mesmo com avanços em sustentabilidade, rastreabilidade e biotecnologia, a imagem do agro brasileiro costuma pairar sobre desmatamento e crises ambientais. A narrativa equilibrada de ciência e inovação ainda não está amplamente difundida.
Especialistas destacam que, para ampliar a reputação internacional, é preciso ir além da escala produtiva e demonstrar capacidades tecnológicas, de pesquisa e desenvolvimento no setor.
Casos e caminhos possíveis
O Brasil já apresenta exemplos de procedência que mudam a percepção de valor. A Serra da Canastra, por exemplo, ilustra como origem pode transformar um produto regional em ativo global. Outras iniciativas de café, cacau e produtos com indicação geográfica reforçam esse caminho.
Para ampliar o valor, é necessário fortalecer marcas, ampliar a industrialização e ampliar a diferenciação na oferta brasileira, conectando produto, história e território.
Cobertura e fontes
A discussão baseou-se em estudo de percepção global sobre o Brasil, com entrevistas em diversos mercados. A pesquisa foi realizada pela OnStrategy, consultoria de brand value management, fundada em 2009 e sediada em Lisboa. As informações foram veiculadas pela CNN Brasil.
A partir desta segunda-feira, 11, a CNN Brasil promoverá uma série de conteúdos com os dados da pesquisa. A cobertura acontece no CNN Prime Time e envolve quatro episódios temáticos. A conclusão ocorre no domingo, 17 de maio, com programa ao vivo conduzido por Iuri Pitta e Elisa Veeck.
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