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Por que o Japão ficou atrás da demanda global por rosé

Japão ainda não consome rosé regularmente; iniciativa de Provence busca alterar percepção, educar sommeliers e posicionar o vinho na mesa japonesa

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  • Em março de 2026, houve uma masterclass de rosé de Provence em Tóquio, com público cheio de 100 pessoas, na Caplan Wine Academy.
  • Entre 15 e 17 de abril, ProWine Tokyo destacou o rosé como um tema-chave, buscando entender por que o Japão está atrás da demanda global.
  • Os desafios vão além do preço: há percepção de rosé mais doce e uma associação cultural com vinhos vermelhos (com carne) e brancos (com peixe).
  • O Japão ainda não adotou o rosé como vinho para diferentes momentos, especialmente no verão ou ao ar livre, como ocorre em Provence ou Nova York.
  • Para avançar, produtores de Provence precisam educar o mercado, mostrar o valor do rosé seco e versátil para harmonizar com culinárias japonesas e asiáticas, indo além do estilo “lifestyle” francês.

O rosé enfrenta resistência no Japão, apesar do sucesso em outros mercados. Desafios incluem preço, percepção de doçura e dúvidas sobre harmonização. A indústria busca mudanças desde a primavera de 2026.

Em março, uma masterclass de rosé provençal, conduzida por Ray O’Connor MW e Kenichi Ohashi MW, reuniu 100 pessoas na Caplan Wine Academy, em Tóquio. Entre 15 e 17 de abril, ProWine Tokyo elevou o tema rosé como linha central da feira.

Nao Tomita, gerente de projeto da Messe Düsseldorf Japan, afirma que há interesse em entender por que o Japão ficou para trás do crescimento global do rosé. O objetivo é mapear fatores que limitam a demanda local.

Preço permanece um obstáculo, mas não é o único fator. Brice Eymard, CEO da CIVP, lembra que, há décadas, o rosé japonês era associado a estilos doces de Portugal ou Alemanha. Muitos japoneses desconhecem rosés mais secos.

A percepção de categoria também pesa. Em Tóquio, o rosé é lembrado como opção entre branco e tinto, dificultando a compreensão de seu uso versátil. A imagem ainda está associada a momentos sazonais, não ao consumo contínuo.

Além disso, o rosé costuma aparecer nas gôndolas durante a temporada das cerejeiras, enquanto o consumo casual no verão ainda não se consolidou no país. A cor rosa chamativa atrai atenção, mas não garante adoção ao longo do ano.

Para reduzir esse descompasso, produtores precisam de um novo roteiro de entrada no mercado japonês. A CIVP criou espaço de degustação dedicado no pavilão francês em ProWine Tokyo, e a marca Provence volta a mirar o Japão como mercado prioritário.

Eymard aponta que cerca de 45% das vendas de Provence hoje chegam a mercados internacionais, incluindo Japão, que tem uma cultura de vinhos avançada, mas onde o rosé seco ainda requer maior compreensão. Educação é a primeira etapa.

Esforços já incluem parcerias com sommeliers, escolas de vinhos e instituições de educação, com apoio de organizações como a WSET. A ideia é criar conhecimento sólido sobre rosé seco entre profissionais e consumidores.

Não se busca apenas exportar estilo de vida francês; a estratégia é apresentar o rosé como vinho de mesa, com notas de terroir, acidez, final salino e elegância. A comunicação foca em harmonização com a culinária japonesa.

Entre as marcas em evidência, Maison Saint Aix acredita que o rosé provençal funciona melhor com a gastronomia japonesa. Aix Rosé é apresentado a hotéis de luxo, restaurantes e no mercado de vinhos finos, ampliando presença com Aix White.

Aix também mostrou Beau Viva, um espumante rosé sem álcool, ampliando a oferta para diferentes ocasiões. A mensagem é de que o rosé pode acompanhar refeições completas, não apenas momentos sazonais.

O consenso entre expositores em ProWein Tokyo foi claro: para avançar, é essencial mostrar o valor agregado do rosé provençal — produção especializada, qualidade, compromisso ambiental e conhecimento desde vinhedos até a adega.

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