- Estatísticas oficiais de alta qualidade são valorizadas por governos e pelo setor privado, apesar do ceticismo histórico de algumas figuras, como John Cowperthwaite, que defendia não coletar dados econômicos para evitar intervenção pública.
- Nos Estados Unidos, o setor de dados governamentais movimenta quase US$ 800 bilhões entre 2012 e 2022, enquanto o orçamento de órgãos estatísticos ficou em US$ 7,1 bilhões em 2022.
- Um estudo do National Bureau of Economic Research analisa o impacto da demissão de Erika McEntarfer, ex-chefe do Bureau of Labor Statistics, e a alegação de manipulação dos números de emprego.
- O estudo usa o índice de incerteza de política econômica (EPU) para medir o efeito das principais notícias sobre política econômica, constatando aumento do índice após a demissão, com possível impacto negativo na economia.
- Mesmo estimando danos econômicos entre US$ 20 bilhões (estimativa preferida) e até US$ 104 bilhões, os pesquisadores destacam que há várias razões para o aumento da incerteza, não apenas ações ligadas à demissão, e que os custos/benefícios de estatísticas confiáveis continuam relevantes.
O valor das estatísticas oficiais confiáveis é questionado ao observar o que acontece quando esses dados desaparecem. Um estudo recente analisa justamente esse cenário para entender o que se perde sem números oficiais de qualidade.
O texto ressalta que economias dependem de dados para decisões de política e de mercado. Organizações e indivíduos utilizam estatísticas para decidir onde abrir negócios, planejar investimentos e avaliar políticas públicas.
O artigo destaca que a confiança nesses dados não é apenas do governo. Nos EUA, o setor que trabalha com dados governamentais gerou quase US$ 800 bilhões entre 2012 e 2022, enquanto o orçamento total de estatísticas em 2022 ficou em US$ 7,1 bilhões.
Na pesquisa, liderada por Nicholas Bloom, Erica Groshen e membros do American Enterprise Institute, é analisada a demissão de Erika McEntarfer, ex-chefe do BLS, ocorrida em agosto. O foco não é apenas a pessoa, mas a credibilidade da instituição.
Para medir esse efeito, os autores recorrem ao Índice de Incerteza de Política Econômica (EPU), criado há cerca de 15 anos. O índice registra picos de incerteza quando a imprensa destaca dúvidas sobre as ações de formuladores de políticas.
O estudo observa que o EPU subiu após a demissão, mas também aponta que ele recuou posteriormente. Mesmo assim, os pesquisadores estimam que episódios de incerteza podem ter impactos econômicos expressivos, com a possibilidade de perdas de empregos.
Caso isolado, a demissão de McEntarfer elevou a incerteza por questões associadas a uma revisão negativa nos números de emprego, que ocorreu na mesma janela temporal. Outros eventos, como a renúncia de uma governadora do Fed, também contribuíram para o quadro.
Entre as conclusões do trabalho, os autores apresentam uma estimativa de danos econômicos de quase US$ 20 bilhões atribuíveis ao medo e à dúvida gerados pelo episódio. Eles ressaltam que a cifra é incerta e depende do noticiário.
O estudo compara esse montante com o orçamento do BLS, que hoje representa uma fração pequena dos gastos federais. Mesmo assim, o valor estimado sugere que investir em estatísticas confiáveis pode ter retorno econômico relevante para além de objetivos partidários.
O artigo conclui que, nos EUA, pouco mais de US$ 1 em cada US$ 1.000 dos gastos federais é destinado a estatísticas. A defesa de estatísticas públicas sustenta que esse investimento pode melhorar a eficiência de políticas e decisões de mercado.
Ao longo do texto, o foco é manter a neutralidade: não se atribuem culpas a instituições de modo definitivo, e as cifras são apresentadas como resultados de estimativas sujeitas a variações. As fontes citadas são acadêmicas.
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