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Petróleo caro acelera repasse de preços e pressiona consumo no Japão

Preço do petróleo sobe rápido e repasse ao varejo japonês ocorre em dois meses, pressionando embalagens e itens do dia a dia

— Foto: Akio Kon/Bloomberg
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  • O repasse dos preços do petróleo ao varejo japonês ocorreu em dois meses, mais rápido do que o usual, que é de cerca de seis meses.
  • Em início de maio, a loja Tochigiya elevou o tofu não prensado de 220 para 250 ienes, citando o encarecimento das bandejas plásticas das embalagens.
  • O fornecedor informou que os preços subiriam ao menos 30% após a alta do petróleo causada pela guerra entre Estados Unidos e Irã; o fechamento do Estreito de Ormuz interrompeu embarques de nafta.
  • O Índice Nikkei de Commodities subiu 3,5% em abril, com destaque para os químicos, cujos preços avançaram 18%.
  • Empresas japonesas estudam cláusulas de força maior para suspender fornecimentos, e fornecedores de autopeças também discutem essa possibilidade nos contratos.

Os preços do petróleo passam a acelerar o repasse para o varejo japonês, pressionando o custo de itens do dia a dia. Em maio, a Tochigiya, tradicional loja de tofu perto do templo Sensō-ji, elevou o tofu não prensado de 220 para 250 ienes, citando aumento nas embalagens plásticas.

Segundo o fornecedor, em abril já havia previsão de alta de pelo menos 30% devido à valorização do petróleo após a guerra entre EUA e Irã. Um funcionário da loja afirmou que o ritmo do reajuste foi inédito.

As embalagens utilizam propileno derivado da nafta, derivado petroquímico importado em grande parte do Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz reduziu o abastecimento dessa matéria-prima.

Repasse mais rápido do petróleo e impactos no setor

Tradicionalmente, o repasse aos preços de varejo demora cerca de seis meses, porém, neste ano, ocorreu em apenas dois meses. Empresas de variados setores ajustam valores diante da incerteza no fornecimento de petróleo e derivados.

O Índice Nikkei de Commodities, que acompanha 42 matérias-primas no atacado, subiu 3,5% em abril, marcando recorde. Entre os setores, o de produtos químicos teve alta de 18%, supera o ritmo da crise do petróleo de 1973.

Especialistas destacam a preocupação de fabricantes com o aumento de custos. Takanori Sakaguchi, consultor de commodities, aponta maior movimento de cláusulas de força maior entre fornecedores japoneses de peças, para suspender entregas em guerras, acidentes ou desastres.

Na prática, empresas de energia do Oriente Médio e fabricantes de plástico do Sudeste Asiático já adotaram tais cláusulas. Também há negociações de inclusão de cláusulas semelhantes em contratos da indústria automobilística japonesa.

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