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Fim da escala 6×1 no comércio pode reduzir empregos e elevar inflação

Fim da escala 6x1 pode reduzir renda no varejo e elevar inflação, pressionando preços de produtos e serviços

A redução forçada da jornada sem ganho de produtividade pode elevar preços no comércio e serviços (Foto: Imagem gerada por GPT Image 2/Gazeta do Povo)
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  • Fim da escala 6×1 atinge o varejo: menos horas, queda no fluxo de clientes e nas comissões; FGV Ibre projeta retração de 12,2% na riqueza do setor e FecomercioSP aponta encarecimento da mão de obra em 22%.
  • Emprego em risco: CLP estima redução direta de 640 mil empregos com carteira; possibilidade de migração para contratos precários e demissões de funcionários mais experientes, conforme especialistas.
  • Turismo em alerta: setores de hotelaria, restaurantes e aviação civil enfrentam aumento de custos e perda de competitividade; para aviação, restrições podem inviabilizar rotas intercontinentais.
  • Logística sob pressão: possível apagão logístico e elevação de frete; defesa de 18% a mais na folha de pagamento para o setor em SC, agravando gargalos já existentes.
  • Saída por negociação: CNC e outros defendem acordos coletivos para ajustar jornadas; propostas incluem desoneração da folha e soluções setoriais; inflação estimada em até 6,2% ao consumidor.

No Brasil, a proposta de fim da escala 6×1 nos setores de comércio, turismo, logística e serviços promete reduzir horas de trabalho, mas elevar custos para empresas e para o consumidor. O objetivo é ampliar a jornada de atuação, o que, segundo governos e especialistas, pode frear a produção ao aumentar o custo da mão de obra.

A previsão é de queda na renda de trabalhadores que recebem comissões por metas, já que lojas com menos horas tendem a vender menos. Estudo da FGV Ibre aponta retração de 12,2% na riqueza gerada pelo varejo com a medida, caso seja implementada sem ajustes. A expectativa é de impacto imediato nas vendas.

A FecomercioSP estima aumento de 22% no custo de mão de obra para manter salários diante de jornadas menores. Com isso, há menos vagas formais. O CLP projeta about 640 mil empregos com carteira fechados no país, com migração de trabalhadores para contratos precários.

Hélio Zylberstajn, da USP, afirma que empresas devem demitir os profissionais mais caros e velhos, substituindo-os por jovens com salários menores. O impacto seria maior entre trabalhadores com menor escolaridade, que tendem a sentir menos a redução já que já operam jornadas reduzidas.

Impactos setoriais

No turismo, hotéis, restaurantes e aviação civil enfrentam custos elevados com escalas rígidas. A demanda turística se concentra em finais de semana e feriados, tornando a operação contínua essencial. Entidades do setor alertam para inflação de diárias, pacotes e passagens, prejudicando a competitividade.

Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, descreveu que a inclusão de aeronautas na nova jornada pode tornar inviável manter rotas intercontinentais. Em aeroportos, 53,2% dos trabalhadores atuam no regime 6×1, segundo a Abesata, com custos estimados em alta de pelo menos 20%.

No segmento de alimentação fora do lar, a Fitch Ratings classifica restaurantes como vulneráveis à insolvência, por operarem em três turnos contínuos e com pouca flexibilidade para reajuste de escalas. A pressão inflacionária também se fortalece pela rigidez da jornada.

Logística e frete sob tensão

A aprovação da PEC pode causar apagão logístico e elevação de fretes. O setor opera de forma ininterrupta para manter o abastecimento, e o ajuste de escalas pode impactar seriamente custos e preços ao consumidor. A Fetrancesc aponta alta de 18% na folha de pagamento com a redução de horas, ressaltando o risco para o setor.

A defasagem de 10,1% no frete, conforme a NT C&Logística, já é um desafio anterior. Setor vareja aponta que mais descanso para motoristas tende a piorar a escassez de profissionais disponíveis, agravando a situação.

Negociação como alternativa

Lideranças defendem descentralização das decisões por meio de acordos coletivos, permitindo escalas rotativas e bancos de horas compatíveis com a sazonalidade. O FOHB sustenta que negociações permitem ajuste sem prejuízo ao emprego, desde que haja contrapartidas do Estado.

A CNC apresentou ao relator da PEC propostas técnicas para mudar jornadas por meio de acordos coletivos, preservando flexibilidade constitucional. Entre as medidas estão o reforço de acordos, modelos de organização diferenciados e desoneração da folha para setores intensivos em mão de obra.

Consequências para o bolso do consumidor

Especialistas dependem de mecanismos de desoneração para evitar demissões em massa. A inflação parece inevitável se as empresas repassarem custos aos preços. A CNI estimou inflação média de 6,2% ao consumidor, com cesta básica subindo em média 5,7%.

Em cenários setoriais, alguns produtos podem encarecer mais, conforme Fecomércio-MT. Assim, trabalhadores podem enfrentar preços mais altos, enquanto seus contracheques não acompanham o mesmo ritmo de queda na renda.

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