- A ANR defende 40 horas semanais com flexibilidade na distribuição, mantendo hora extra a partir da 41ª hora e sem grade fixa de oito horas diárias.
- No setor, mudanças já começaram: Grupo Trigo migrou parte das franquias para 5×2; outros operam 12×36; a BFFC adota postura cautelosa, temendo perda de produtividade.
- A estimativa é de 10% a 20% mais necessidade de pessoal com a redução de horas, em um mercado de trabalho com desemprego baixo e dificuldade de contratação.
- A Geração Z busca flexibilidade; 63% prefere trabalhos por projeto, 98,1% valoriza flexibilidade e 83,7% evitaria propostas sem esse benefício.
- A PEC segue para votação na Câmara; transição prevê 60 dias para queda de jornada para 42 horas e um ano para 40, com duas folgas semanais mantidas.
Na maior feira de food service do mundo, em Chicago, empresários brasileiros trataram de uma PEC em tramitação no Congresso: a transição da escala 6×1 para 40 horas semanais. A discussão é sobre flexibilizar as horas trabalhadas, não apenas reduzi-las.
A ANR (Associação Nacional de Restaurantes) já entregou ao relator na Câmara um posicionamento claro: aceitar as 40 horas, mas rejeitar o engessamento de oito horas fixas diárias. A regra manteria hora extra a partir da 41ª hora semanal. A ideia é ampliar a liberdade de distribuição das jornadas.
No chão de operações, parte do setor já trabalha com modelos diferentes. O Grupo Trigo sinaliza migração para 5×2 ou já utiliza regimes 12×36 há anos. Já a BFFC observa cautela: alguns franqueados testam formatos alternativos, mas há preocupação com perda de produtividade.
Mudança prática e impactos
Essa transformação pode exigir contratação adicional, especialmente para quem opera com turnos fixos. Responsáveis apontam que, na prática, menos horas semanais podem exigir mais pessoas para manter a operação estável. Estima-se um aumento de 10% a 20% na necessidade de trabalhadores.
A flexibilidade passou a ser critério de seleção, segundo estudos de mercado. Pesquisas indicam que a geração Z prefere trabalhos por projeto e que a maioria valoriza a possibilidade de horários flexíveis. A adesão a modelos adaptáveis é vista como vantagem competitiva.
Para a administração, a transição deverá ocorrer de forma gradual. O cronograma prevê redução da jornada para 42 horas em 60 dias após a promulgação e para 40 horas em 12 meses. As duas folgas semanais passam a valer integralmente nesse período.
Perspectivas para o setor
Para quem atua no varejo alimentar, o desafio é equilibrar demanda, margem e pessoal. A percepção difere conforme o tipo de operação, variando entre pizzarias noturnas, restaurantes por quilo e casas de chá com horários reduzidos. A expectativa é de maior complexidade de planejamento.
Alguns empresários já apontam sinais de “uberização” do trabalho, com contratação por diária via plataformas. O cenário tende a exigir uma visão mais estratégica de custos, com maior ênfase em planejamento de demanda e turnos.
Os relatos apontam que, com menor carga horária, o setor pode manter salários competitivos, desde que haja equilíbrio entre produtividade e contratação. Risco de inflação salarial persiste se a demanda por mão de obra superar a oferta.
Expectativas para a tramitação
A PEC tramita na comissão especial da Câmara e tem votação prevista para ocorrer em breve. O acordo entre o governo e a Câmara facilita o avanço do texto, com ajustes de transição e regras setoriais para categorias específicas.
A avaliação do impacto depende do modelo operacional de cada empresa. Quem já utiliza escalas não convencionais pode aplicar as mudanças com menor adequação. Operadores com quadro enxuto devem redesenhar horários e custos com cautela.
A discussão segue em aberto entre empresários, trabalhadores e governo. A expectativa é de que o setor alcance mais flexibilidade sem comprometer empregos, respeitando as particularidades de cada tipo de negócio.
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