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Brasil pode traçar rota própria para descarbonizar a mobilidade

Instituto projeta transição da mobilidade brasileira até 2040 com híbridos-flex, etanol e biometano, sob pressão internacional por rastreabilidade e pegada de carbono

Avenida 23 de Maio, em São Paulo: estudo aponta que a descarbonização da mobilidade brasileira deve combinar eletrificação, biocombustíveis e novas rotas tecnológicas até 2040.
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  • Brasil pode descarbonizar a mobilidade por meio de uma combinação de rotas: híbridos-flex, etanol, biometano, biodiesel e eletrificação até 2040, não apenas carros elétricos.
  • Estudo prevê crescimento expressivo dos veículos eletrificados, chegando a 17,4 milhões de unidades em 2040 (mais de 27% da frota leve), enquanto motores flex permaneceriam em torno de 62,4% da frota leve.
  • Demanda por etanol deve subir, com uso no ciclo Otto passando de 33,6 bilhões de litros em 2025 para até 52,2 bilhões de litros em 2040; etanol também pode abastecer SAF e transporte marítimo.
  • Biometano é visto como vetor estratégico para o transporte pesado, com potencial de substituir até 70% do diesel no transporte pesado até 2040, sujeito a políticas públicas e infraestrutura.
  • Infraestrutura é o gargalo: seria necessário cerca de 807 mil pontos de recarga até 2040, com investimento entre R$ 20,7 bilhões e R$ 24,9 bilhões; pressão internacional por rastreabilidade e pegada de carbono pode influenciar a competitividade brasileira.

A mobilidade brasileira pode reduzir emissões por meio de uma combinação de rotas tecnológicas até 2040, não apenas pela eletrificação total. O estudo do Instituto MBCBrasil, elaborado pela LCA Consultores, aponta etanol, híbridos-flex, biometano e infraestrutura de recarga como pilares.

Segundo o levantamento, a frota eletrificada deve crescer, mas os motores flex permanecerão dominantes. Em 2040, veículos eletrificados representariam cerca de 27% da frota leve, enquanto os flex seriam 62%. A aposta brasileira envolve também bioenergia e eficiência energética.

Desafios e oportunidades da transição

A pesquisa destaca que o Brasil precisa expandir infraestrutura de recarga e gerar mais eletricidade com fontes renováveis. Estima-se a necessidade de até 807 mil novos pontos de recarga até 2040, com investimentos entre 20,7 e 24,9 bilhões de reais.

Rumo a padrões internacionais e indústria

Acordos comerciais, como Mercosul-UE, podem impor rastreabilidade da pegada de carbono. Para o Instituto, isso pode abrir mercados, mas exige dados auditáveis sobre emissões, origem da biomassa e uso da terra, sob critérios sociais e ambientais.

Perspectiva de bioenergia como vantagem competitiva

Os híbridos-flex aparecem como solução alinhada à realidade brasileira, combinando eletrificação parcial com etanol. A transição não deve depender exclusivamente de recarga, preservando indústria, empregos e cadeia de suprimentos locais.

Biometano e usos não veiculares

O biometano surge como vetor estratégico para o transporte pesado, com potencial de substituir parte do diesel até 2040, desde que haja coordenação de políticas públicas e infraestrutura, especialmente para caminhões e ônibus.

Etanol e combustíveis de baixo carbono

O estudo prevê aumento do consumo de etanol no ciclo Otto de 33,6 bilhões de litros em 2025 para até 52,2 bilhões em 2040, contemplando uso em SAF e transporte marítimo, além de aplicações agrícolas.

Implicações econômicas e regionais

Cenários com maior participação de híbridos podem trazer ganhos econômicos superiores em comparação com rotas 100% elétricas, devido ao conteúdo local mais robusto. A visão é de transição integrada, não de escolha exclusiva entre tecnologias.

Conclusão operacional

Para o Brasil, a estratégia de mobilidade de baixo carbono deve combinar tecnologias diversas, com planejamento, regulação estável e desenvolvimento de infraestrutura, assegurando competitividade econômica e autonomia industrial.

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