- Os Correios tiveram déficit líquido de R$ 3,158 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 83,02% ante o mesmo período de 2025 (R$ 1,725 bilhão).
- O resultado negativo foi impulsionado por despesas gerais e administrativas de R$ 2,26 bilhões e despesas financeiras de R$ 985 milhões, com impacto relevante de contingências judiciais.
- As contas também foram pressionadas por maior reconhecimento de juros e multas sobre tributos incidentes sobre importação.
- As receitas do trimestre recuaram em itens-chave: encomendas caíram para R$ 2,2 bilhões (queda de 5,5%), postagens internacionais recuaram 60,3%, e cartas e documentos caíram 11,4%.
- Plano de recuperação inclui crédito de até R$ 20 bilhões (com aprovação de até R$ 12 bilhões pelo Tesouro e até R$ 8 bilhões em capitalização), corte de despesas, PDV, venda de imóveis e melhoria de liquidez; TCU questiona premissas e capacidade de pagamento das garantias.
Os Correios registraram prejuízo líquido de 3,158 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, segundo balanço publicado pela estatal. O resultado é 83,02% maior que o registrado no mesmo período de 2025, quando o déficit foi de 1,725 bilhão.
As despesas gerais e administrativas, bem como as despesas financeiras, puxaram o saldo negativo. No trimestre, as GADE somaram 2,26 bilhões, incluindo custos com pessoal e serviços jurídicos. Contingências judiciais também pesaram, em meio a ações trabalhistas, cíveis e fiscais.
As despesas financeiras cresceram de 282,9 milhões para 985 milhões, impulsionadas por encargos da dívida interna, juros e IOF. Houve reconhecimento de juros e multas de tributos de importação em 2025 e no primeiro trimestre de 2026.
Em 2025, o rombo total dos Correios atingiu 8,5 bilhões de reais, a maior marca da história. A expectativa atual é de que 2026 supere esse recorde, ainda que a estatal registre a pretensão de alcançar superavit em 2027.
A queda de receitas acompanha a perda de competitividade frente a grandes players logísticos, como a Amazon, e à demanda menor pelos serviços postais tradicionais, como envio de cartas. No trimestre, as encomendas renderam 2,2 bilhões, queda de 5,5% ante 2025.
Outras receitas totalizaram 465 milhões, alta de 48% no período, patamar sustentado por itens variados. As postagens internacionais caíram 60,3%, para 156 milhões, enquanto cartas e documentos ficaram em 1,2 bilhão (queda de 11,4%).
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Plano de recuperação
Para manter liquidez no curto prazo, os Correios anunciaram, em novembro, uma linha de crédito de até 20 bilhões de reais. O Tesouro aprovou um empréstimo de até 12 bilhões, e há tratativas para uma capitalização adicional de até 8 bilhões.
O plano prevê corte de despesas administrativas e de pessoal, com PDV, além da otimização de ativos, venda de imóveis e captação de recursos. Desde janeiro, 3.181 funcionários aderiram ao PDV, o que representa mais de 30% do contingente elegível.
A rede de imóveis também é alvo do plano: 138 construções ociosas devem ser leiloadas, com retorno estimado de mais de 13 milhões.
O TCU avaliou o pacote com ressalvas, destacando possível violação da Lei de Responsabilidade Fiscal pela ausência de verificação independente das premissas financeiras. O tribunal apontou falhas na análise de capacidade de pagamento para garantia da União em crédito de 12 bilhões.
O TCU também alertou para a ampliação da exposição da União pela ausência de avaliação externa sobre receitas, despesas e fluxos de caixa que fundamentam os planos de equilíbrio econômico-financeiro. (Com informações da Agência Estado)
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