- Em maio, investidores estrangeiros retiraram R$ 14,9 bilhões da bolsa brasileira, a saída mais intensa em mais de seis anos.
- O Ibovespa caiu por sete semanas seguidas, a sequência de perdas mais longa desde maio de 2004.
- A saída externa ajudou a afastar ganhos do começo do ano, após alta de mais de 12% em janeiro e queda em maio.
- Fatores citados incluem tensões no Oriente Médio, demanda por ativos vinculados à inteligência artificial e dúvidas sobre a continuidade da queda da Selic.
- Enquanto estrangeiros recuaram, investidores pessoa física passaram a comprar, com fluxo líquido comprador de mais de R$ 5,8 bilhões em maio.
Em maio, investidores estrangeiros retiraram dinheiro das ações brasileiras com a intensidade mais alta em mais de seis anos, freando o rali do mercado. O saldo líquido foi de 14,9 bilhões de reais, segundo dados compilados pela Bloomberg. O Ibovespa caiu após sete semanas seguidas de queda, a maior sequência negativa desde maio de 2004.
A participação externa na bolsa é relevante: mais de 60% do volume é negociado por estrangeiros, conforme dados da B3. As perdas de maio vieram após ganhos expressivos no início do ano, com o índice avançando 12% em janeiro e voltando a subir em fevereiro.
Fluxo estrangeiro e impacto no Ibovespa
Segundo Marcelo Okura, co-responsável de mercados globais para a América Latina do UBS em São Paulo, o movimento ocorreu a partir da quinzena de abril, com saída contínua de estrangeiros e ajustes de carteira. Tensões no Oriente Médio e demanda por ações ligadas à IA desviaram capitais.
A valorização do petróleo provocada pela guerra no Irã contribuiu para reavaliar juros globais, elevando a percepção de que o ciclo de queda da Selic pode ser mais curto. O recuo de maio ficou acima do MSCI EM Latin America, que caiu 4,7%.
Cenário político e perspectivas de curto prazo
Okura aponta a incerteza política na América Latina como fator adicional de pressão. O Brasil enfrenta disputa polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro para as eleições de outubro. Ainda assim, analistas veem risco de curto prazo limitado e possível recuperação de fluxos.
Raphael Figueredo, da XP, espera recuperação dos fluxos conforme tensão geopolítica diminuir, petróleo se estabilize e a atratividade das ações de IA diminua. O analista cita que os fatores estruturais de começo de ano permanecem.
Desempenho de varejo e leituras de mercado
Enquanto estrangeiros reduzem exposição, investidores de varejo teriam aproveitado a queda para comprar. Em maio, pessoas físicas foram compradores líquidos em 18 das 20 sessões, com fluxos mensais superiores a 5,8 bilhões de reais, segundo a Bloomberg.
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