- Cade deve aprovar sem restrições a fusão entre Saipem (italiana) e Subsea 7 (norueguesa), operação com receitas globais de R$ 124 bilhões e contratos de R$ 254 bilhões.
- As empresas fornecem navios e dutos para exploração de óleo, incluindo para a Petrobras, que é alvo de questionamentos pela fusão.
- Petrobras pretende entrar com recurso no tribunal, o que reinicia a análise do caso até julgamento em plenário.
- Técnicos do antitruste dizem que a fusão pode concentrar poder de mercado, elevando concorrência e preços, e que haverá rivalidade entre concorrentes remanescentes.
- No Brasil, o caso é visto como exclusivo de águas profundas; Saipem e Subsea 7 são líderes nesse segmento, o que preocupa a estatal em relação ao plano de investimentos.
A superintendência-geral do Cade deve aprovar sem restrições a fusão entre Saipem, italiana, e Subsea 7, norueguesa, cuja receita combinada soma cerca de R$ 124 bilhões. O negócio envolve contratos de aproximadamente R$ 254 bilhões e envolve fornecimento de navios e dutos para exploração de óleo, incluindo a Petrobras.
Segundo técnicos que acompanham o processo, o relatório será divulgado na próxima semana. A expectativa é de que a Petrobras apresente recurso ao tribunal, o que, na prática, reinicia a análise até a decisão final em plenário.
A equipe técnica aponta que a fusão pode gerar rivalidade entre concorrentes remanescentes, mas aumenta o poder de barganha da Petrobras. A estatal avalia que a operação provocaria concentração excessiva no segmento de águas profundas.
Contexto do setor
O caso é considerado brasileiro por envolver tecnologia e ativos específicos de águas profundas, onde barcos, oleodutos e equipamentos Surf são essenciais. Em outros países, há maior flexibilidade competitiva, segundo a análise do Cade.
Saipem e Subsea 7 são as duas maiores fornecedoras com expertise para esse segmento. A Petrobras argumenta que a fusão pode reduzir a competição e influenciar decisões de investimento, já que mais da metade dos navios usados nesse segmento está sob controle das duas empresas.
Histórico e andamento do processo
O processo foi aberto em julho de 2025. Inicialmente, houve atrito entre as empresas ao não informar com precisão a participação de mercado, o que atrasou a tramitação. Por isso, o Cade recalculou o rito processual e solicitou nova notificação.
Após respostas recebidas, técnicos do Cade conseguiram delinear melhor o mercado e avançar na avaliação. A Petrobras encaminhou diversos documentos apontando riscos à concorrência caso a fusão fosse aprovada, e informou que empresas do setor pressionaram o Cade via IBP para rejeitar o negócio.
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