- Ibovespa fechou a oitava semana seguida no vermelho, aos 169 mil pontos, com queda de 0,77% no dia e queda semanal de 2,7%.
- No ano, os ganhos da carteira recuaram de 23% no auge para 4,9%. Dos 79 ativos que compõem o índice, 66 caíram na semana.
- O motivo de fundo foi a escalada do petróleo e a inflação mais alta, com o mercado revisando projeções de juros e custo de consumo.
- Nos EUA, o payroll de maio mostrou criação de 172 mil vagas, acima do esperado, fortalecendo a decisão de manter juros elevados por mais tempo.
- No Brasil, o mercado passou a apostar em juros mais altos por mais tempo, com DI de longo prazo acima de 14% ao ano e Tesouro Prefixado near 15% ao ano, pressionando ativos de risco.
O Ibovespa encerrou a oitava semana consecutiva de queda, registrando a pior sequência desde 1972. O principal índice da bolsa brasileira caiu 0,77% hoje, aos 169 mil pontos, deixando saldo semanal negativo de 2,7% e alta de 4,9% no ano até o momento. Das 79 ações que compõem o índice, 66 recuaram na semana.
O movimento de queda acompanha o comportamento de ativos globais, influenciado por incertezas sobre a inflação, petróleo e política monetária. O preço da commodity voltou a subir, elevando custos de energia, transporte e produção em diversos setores.
A virada ocorreu em meio a dúvidas sobre o ritmo de cortes de juros no curto prazo. Enquanto o início do ano mostrava espaço para queda da Selic, o cenário passou a indicar possível manter ou elevar os juros por mais tempo, diante de pressões inflacionárias.
No cenário externo, o mercado repercute dados de emprego dos EUA. Em maio, foram criadas 172 mil vagas, acima das 80 mil esperadas, fortalecendo a noção de resistência da atividade econômica. Isso apoiou a aposta por juros altos por mais tempo nos títulos americanos.
Como consequência, o dólar avançou frente ao real, fechando a semana em torno de 5,15 reais, com valorização de 2,26% em cinco pregões. A valorização da moeda externa pressiona fluxos de capitais para economias emergentes.
No Brasil, o cenário de juros mais altos se tornou a referência. O mercado projetava, inicialmente, cortes suaves da Selic, mas a visão atual aponta dificuldade de queda adicional. O Copom aparece dividido entre reduzir 0,25 ponto percentual ou manter juros.
Os contratos DI, usados para precificar a trajetória da Selic, subiram significativamente nas últimas semanas, com taxas de longo prazo em torno de 14% ao ano. Em maio, a expectativa era de cerca de 13% para 2027-2028; hoje, 14% aparece como patamar comum.
Essa mudança de expectativa favorece renda fixa e eleva o custo de capital para empresas, reduzindo o apelo relativo de ativos de risco. Assim, a queda recente da bolsa reflete, em grande medida, ajustes de mercado frente a um ambiente de juros mais elevados.
O Tesouro Nacional ampliou retornos, com o prefixado próximo de 15% ao ano e títulos atrelados à inflação acima de 8%. Os cenários de renda fixa passam a atrair mais investidores, impactando a avaliação de ações e perspectivas de lucro corporativo.
Em síntese, a nova tendência de juros elevados e maior volatilidade externa explica boa parte da atual fase de perdas. O mercado busca entender até onde a guerra geopolítica e a inflação poderão se sustentar, antes de retomar o equilíbrio.
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