- Estudo publicado na PNAS Nexus aponta que os bombardeios em Gaza provocaram perda de US$ 2,6 bilhões no consumo médio familiar no primeiro ano da guerra (até outubro de 2024).
- A destruição correspondeu a 75% das atividades econômicas da região, com 82% de cada quilômetro quadrado danificado e 67,9% da área construída destruída.
- A queda média de luminosidade foi de 68,5% nas zonas atingidas, chegando a 80,1% nas áreas danificadas desde o início do conflito.
- A pesquisa, que usa apenas dados de satélite, indica uma queda de 75,3% do PIB de Gaza em 2023-2024, chegando a 97% em áreas mais severamente afetadas.
- Nos primeiros três meses, mais de 60% do território já havia sido danificado pela primeira vez, destacando a intensidade inicial do impacto econômico.
A destruição em Gaza provocou uma perda estimada de US$ 2,6 bilhões no primeiro ano de conflito, afetando cerca de 75% das atividades econômicas da região. O estudo foi publicado na PNAS Nexus, divulgação da Academia Nacional de Ciências dos EUA e da Universidade de Oxford, e usa apenas dados de satélite.
Segundo a pesquisa, até outubro de 2024, 82% de cada quilômetro quadrado da Faixa de Gaza já havia sido danificado pelo menos uma vez, e 67,9% da área construída estava destruída. A perda média de luminosidade, associada à atividade econômica, chegou a 68,5%, atingindo 80,1% nas áreas danificadas desde o início da guerra.
A equipe, formada por economistas e geógrafos de quatro instituições, afirma que esta é a primeira avaliação do impacto econômico da guerra utilizando apenas dados de satélite, sem depender de fontes vinculadas ao conflito. Os pesquisadores destacam que o dano foi mais intenso nos primeiros três meses.
Impacto econômico
O estudo aponta que a queda na luminosidade se correlacionou com o PIB de Gaza. Em áreas mais atingidas, a perda de PIB chegou a 97%. Para converter as mudanças de luminosidade em valores, os autores consideraram a relação entre luminosidade, PIB e gastos familiares, validada por referências de pesquisas anteriores.
A pesquisa também examinou a relação entre as interrupções de energia e a destruição. Os resultados permaneceram estáveis mesmo quando fontes de energia foram desligadas de forma escalonada. Observou-se ainda que, ao correlacionar com ordens de retirada, nenhuma zona ficou ilesa da destruição econômica.
Contexto e desdobramentos
O trabalho ressalta que o dano econômico está ligado à continuidade do conflito. Durante o cessar-fogo de novembro de 2023, houve um repique de luminosidade em áreas danificadas, sugerindo resiliência econômica rápida. Os autores destacam que não estão computadas as consequências de longo prazo em saúde e pobreza.
À frente do assunto, autoridades israelenses afirmam não visar civis nem alvos não relacionados ao Hamas. No fim de maio, o primeiro-ministro anunciou ordens para que o Exército assuma controle de 70% de Gaza, o que contrasta com o cessar-fogo de 53% estabelecido em outubro de 2025. O acordo não freou a violência, segundo fontes humanitárias.
Desde outubro de 2025, registram-se milhares de mortes entre palestinos e perdas entre militares de Israel, com números oficiais divergentes. Oieu Organização das Nações Unidas para a Coordenação Humanitária aponta dezenas de milhares de mortos entre civis em Gaza até abril de 2026.
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