- O economista-chefe da CVPAR, Marcelo Fonseca, afirmou ao Hora H que a ata do Copom de 16-17 de junho não esclarece por que houve a redução de 0,25 ponto percentual na Selic, divulgada em 23 de junho.
- Fonseca disse que a ata manteve a confusão sobre as razões do afrouxamento monetário e não trouxe a clareza esperada.
- Segundo ele, não havia justificativa econômica sólida para a continuidade do corte, já que a inflação está alta e acima do teto da meta, mesmo com o núcleo da inflação considerado.
- O especialista destacou desancoramento das expectativas de inflação e depreciação cambial, com projeção do Banco Central para o fim de 2027 acima da meta de 3% e do mercado acima de 4%.
- Sobre a política fiscal, Fonseca afirmou que é o principal fator pressão inflacionária, estimando quase 200 bilhões de reais em estímulos fiscais neste ano, o que compromete a eficácia da política monetária.
O Copom divulgou a ata da reunião de 16 e 17 de junho, na qual decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto. Economista-chefe da CVPAR, Marcelo Fonseca, avalia ao Hora H que o documento continua confuso sobre as razões da queda.
Para Fonseca, a ata não esclarece suficientemente os fundamentos usados pelo BC para o afrouxamento monetário. Ele aponta que a comunicação da decisão anterior já era ambígua e que a ata atual não trouxe maior clareza.
Cenário inflacionário preocupa. O especialista destaca que a inflação atual está elevada, subiu nos últimos meses e já excedeu o teto da meta. Mesmo ao afastar itens voláteis, o núcleo ainda mostra deterioração.
As expectativas de inflação também deterioraram, com a taxa de câmbio em depreciação e projeções mais altas. O BC prevê 3,70% para o fim de 2027, acima da meta de 3%, enquanto o mercado aponta patamar superior a 4%.
Política fiscal como principal fator
Fonseca afirma que, entre questões domésticas e externas, a política fiscal é o principal obstáculo. Ele sustenta que a expansão fiscal dos últimos anos pressiona a inflação e reduz a eficácia da política monetária.
Segundo o economista, até mesmo uma taxa de juros real elevada não basta para convergir para a meta. Estímulos fiscais estimados em quase R$ 200 bilhões neste ano contribuiriam para esse desequilíbrio.
Dilema entre atividade econômica e metas
Quanto ao uso de medidas que eventualmente suavizam o caminho rumo à meta, Fonseca reconhece que tal prática pode proteger a atividade econômica. Contudo, ressalta que a inflação segue bem acima da meta mesmo com crescimento econômico.
Ele lembra que a economia tem mostrado ritmo saudável e o desemprego está em patamar histórico baixo. Diante disso, afirma que é hora de mirar o centro da meta de inflação, mesmo diante de custos no curto prazo.
Entre na conversa da comunidade