- O estudo do Instituto Cordial estima que a obesidade gerou um impacto de R$ 44,6 bilhões aos cofres públicos em 2024, reunindo gastos com saúde, perda de arrecadação, invalidez e aposentadorias e receita indireta.
- A maior parcela vem dos custos com saúde, somando R$ 29,56 bilhões em 2024.
- A perda de arrecadação tributária ficou em R$ 9,94 bilhões, refletindo menor produtividade no mercado de trabalho.
- Outros componentes somaram R$ 6,05 bilhões em invalidez e aposentadorias, com receita indireta de -R$ 0,91 bilhão.
- A projeção é de que o custo total chegue a R$ 60,5 bilhões em 2033, caso o ritmo atual de obesidade se mantenha, e os autores alertam que o valor pode subestimar o impacto real.
O Instituto Cordial apresentou nesta quinta-feira, durante o 3º Fórum Brasileiro de Políticas Públicas em Obesidade, pela primeira vez a conta fiscal da obesidade no Brasil. O estudo usa dados de 2024 para medir o custo da doença para o setor público e a economia.
A estimativa aponta um impacto de R$ 44,6 bilhões nos cofres públicos, considerando saúde, perda de arrecadação, invalidez, aposentadorias e receita indireta ligada aos efeitos da obesidade. Os números refletem apenas parte da realidade econômica da doença.
O levantamento também projeta um cenário de crescimento: se a obesidade continuar em alta, o custo pode chegar a R$ 60,5 bilhões em 2033. A pesquisa ressalta que o valor atual tende a subestimar o problema devido a subdiagnóstico e subregistro.
Como essa conta foi calculada
A maior fatia vem de custos com saúde, totalizando R$ 29,56 bilhões em 2024. Incluem-se consultas, exames, medicamentos, hospitalizações, cirurgias bariátricas e tratamento das doenças associadas ao peso elevado.
A perda de arrecadação tributária soma R$ 9,94 bilhões, decorrente da queda de produtividade e menor participação no mercado de trabalho.
Outros A quantia inclui R$ 6,05 bilhões em invalidez e aposentadorias, além de R$ -0,91 bilhão de receita indireta, no cálculo da conta fiscal.
Por que o valor pode ser maior
Os pesquisadores alertam que o registro da obesidade como diagnóstico ainda é baixo nos sistemas de saúde. Em muitos casos, pacientes recebem tratamento por diabetes, AVC ou infarto sem que a obesidade seja registrada como condição associada.
Essa underreporting sugere que parte dos custos permanece invisível nas estatísticas oficiais. O estudo reforça a necessidade de diagnóstico precoce, acompanhamento e tratamento baseados em evidências para reduzir complicações, hospitalizações e afastamentos do trabalho.
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