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Associações pedem STF suspensão da lei Cota Zero em MT

Associações pedem ao STF a inconstitucionalidade da lei Cota Zero em Mato Grosso; WWF afirma ausência de comprovação de recuperação de estoques e 83% dos pescadores artesanais sem auxílio

Pesca esportiva em Mato Grosso; petição ao STF diz que Cota Zero favoreceu turismo de pesca sem comprovar ganho ambiental
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  • Associações socioambientais pedem ao STF a inconstitucionalidade da lei da pesca de Mato Grosso, conhecida como Cota Zero.
  • Petição sobre ADIs 7.471 e 7.514 sustenta que o governo não comprovou recuperação de estoques pesqueiros e que mais de 80% dos pescadores artesanais ficaram sem auxílio financeiro.
  • WWF-Brasil, em estudo citado, afirma que a lei não enfrenta os principais fatores de pressão sobre os rios e pode ter invertido a relação de causa e efeito entre pesca artesanal e biodiversidade.
  • O programa Repesca, criado em 2024, já beneficiou 2.172 pescadores em 2025, enquanto 12.452 seguem sem receber o auxílio, correspondente a 83% da categoria.
  • A atividade pesqueira representa cerca de 44% do PIB municipal analisado, com pesca artesanal respondendo por parte relevante do valor, e o estudo aponta custos sociais potenciais de até R$ 187 milhões por ano em Mato Grosso.

Associações socioambientais enviaram ao STF um pedido para declarar inconstitucional a lei Cota Zero, que restringe a pesca em Mato Grosso. A petição foi protocolada nesta segunda-feira (29.jun.2026) nas ADIs 7.471 e 7.514, com base em estudo do WWF-Brasil. O objetivo é sustentar a inconstitucionalidade da norma.

Segundo as entidades, o governo não apresentou comprovação de que a lei promovia a recuperação dos estoques pesqueiros. O documento cita que dados da Sema-MT tratam apenas de fiscalização, multas e apreensões, sem demonstrar relação com melhoria ambiental. Amici curiae atuam como técnicos da corte.

Os signatários

O pedido é assinado pelo Instituto Gaia, pelo Instituto Centro de Vida, pelo Fonasc-CBH e pelo Formad. Essas organizações atuam no processo como amicus curiae, fornecendo informações técnicas ao STF.

O que sustenta a controvérsia

A petição aponta que a lei foi apresentada como medida ambiental, mas não enfrenta fatores de pressão sobre os rios, como barragens, desmatamento e uso de agrotóxicos. Há crítica à falta de indicadores básicos para avaliar eventual recuperação dos estoques de pesca artesanal.

Repesca e impactos econômicos

A peça registra que, em 2024, o governo criou o Repesca para pagar um salário mínimo a pescadores artesanais afetados pela Cota Zero. Em 2024 foram 19 beneficiados; em 2025, 2.172. Ainda há 12.452 pescadores sem benefício, o que corresponde a 83% do total da categoria, segundo a petição.

Perspectiva ambiental segundo o WWF

O WWF-Brasil sustenta que a lei, embora apresentada como proteção ambiental, não aborda fatores que afetam a biodiversidade hídrica. A organização afirma que a medida pode ter efeitos inversos ao apontado pela justificativa ambiental.

Dados econômicos da pesca na região

O estudo citado revela que a atividade pesqueira movimenta aproximadamente R$ 889 milhões por ano na região, representando 44% do PIB dos municípios analisados. A pesca artesanal responde por cerca de R$ 102,7 milhões anuais, com R$ 59 milhões na venda direta de pescado.

Outros impactos e cenário hidrográfico

Conforme o material, a fragmentação de habitats por barragens acarreta perdas de até quase R$ 198 milhões anuais para a pesca na Bacia do Alto Paraguai. Pequenas centrais hidrelétricas aparecem entre os fatores que dificultam a migração de peixes.

Buscas por posicionamento

A reportagem procurou o governo de Mato Grosso e a Assembleia Legislativa para posicionamento, mas não houve resposta até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação oficial.

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