- Durante a Festa Literária Internacional de Paraty, ocorreu a mesa “Roçar a língua de Camões”.
- O evento contou com a participação do comediante português Ricardo Araújo Pereira e do linguista brasileiro Caetano Galindo.
- O debate, mediado pela linguista Janaina Viscardi, abordou a relação entre humor e etimologia.
- Galindo destacou que a etimologia vai além da origem das palavras, sendo um estudo da verdade.
- Pereira enfatizou o papel do humor como uma forma de lidar com a mortalidade, contrastando com a esperança religiosa.
Durante a Festa Literária Internacional de Paraty, a mesa “Roçar a língua de Camões” reuniu o comediante português Ricardo Araújo Pereira e o linguista brasileiro Caetano Galindo. O evento, realizado no último sábado, promoveu um debate sobre a intersecção entre humor e etimologia, mediado pela linguista Janaina Viscardi.
Galindo, autor de obras como “Latim em Pó” e “Lia”, destacou que a etimologia é frequentemente mal interpretada. Ele afirmou que o verdadeiro significado do termo não é apenas o estudo da origem das palavras, mas sim o estudo da verdade. O linguista exemplificou expressões populares, como “Criado mudo” e “Fazer nas coxas”, que muitas vezes têm suas origens distorcidas. As palavras estão sempre negociando sentidos, enfatizou.
Pereira, conhecido por seu trabalho no grupo Gato Fedorento e por seu podcast “Coisa que não edifica nem destrói”, abordou o papel do humor na consciência da mortalidade. Ele afirmou que provocar o riso é um ato milagroso e nobre, ressaltando que o humor serve como uma forma de anestesia diante da realidade da vida e da morte. O comediante argumentou que, enquanto a religião oferece esperança de vida após a morte, o humor reconhece a inevitabilidade da perda.
O encontro em Paraty não apenas celebrou a literatura, mas também explorou a complexidade da linguagem e a importância do humor na sociedade contemporânea.
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