- Um estudo recente revela discriminação racial na formação de redes profissionais no ambiente acadêmico de economia.
- A pesquisa, realizada por Nicolás Ajzenman, Bruno Ferman e Pedro C. Sant’Anna, mostra que doutorandos negros são menos seguidos do que doutorandos brancos, mesmo em universidades de alta qualidade.
- O experimento foi conduzido no X (ex-Twitter) entre janeiro e fevereiro de 2022, com a criação de oitenta perfis fictícios de doutorandos com variações em gênero, raça e afiliação institucional.
- Os resultados indicam que perfis de estudantes brancos têm maior probabilidade de serem seguidos, evidenciando que a qualidade da universidade não elimina as barreiras enfrentadas por estudantes negros.
- O estudo também aponta que perfis femininos são seguidos com mais frequência do que masculinos, sugerindo um viés de engajamento em relação ao gênero.
Um estudo recente revela discriminação racial na formação de redes profissionais no ambiente acadêmico de economia. A pesquisa, conduzida por Nicolás Ajzenman, Bruno Ferman e Pedro C. Sant’Anna, mostra que doutorandos negros são menos seguidos do que seus colegas brancos, mesmo em universidades de alta qualidade.
O artigo, intitulado “Discrimination in the formation of academic networks: a field experiment on #EconTwitter”, destaca que a diversidade no meio acadêmico de economia é baixa. Os autores realizaram um experimento no X (ex-Twitter) entre janeiro e fevereiro de 2022, criando 80 perfis fictícios de doutorandos com variações em gênero, raça e afiliação institucional. Esses perfis seguiram 6.920 usuários da comunidade #EconTwitter, uma plataforma importante para a divulgação de trabalhos acadêmicos.
Os resultados indicam que perfis de estudantes brancos têm maior probabilidade de serem seguidos em comparação aos negros. Essa tendência se mantém mesmo entre doutorandos de instituições bem colocadas em rankings internacionais. A discriminação racial persiste, sugerindo que a qualidade da universidade não elimina as barreiras enfrentadas por estudantes negros.
Gênero e Discriminação
Curiosamente, o estudo também revela que perfis femininos são seguidos com mais frequência do que masculinos. Os autores sugerem que isso pode ser resultado da conscientização sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres na academia, levando a um maior engajamento com perfis femininos. Alternativamente, homens podem interagir mais com mulheres para estabelecer conexões sociais, refletindo um viés sexista.
Esses achados ressaltam que a discriminação pode ocorrer em ambientes considerados abertos e igualitários, impactando a trajetória profissional de grupos marginalizados antes mesmo do início do processo seletivo. O estudo serve como um alerta para trabalhadores e empregadores sobre a necessidade de abordar essas desigualdades no ambiente acadêmico e profissional.
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