- Ivan Vilela lançou a segunda edição do livro História e Cultura no Som da Viola – Ensaios e Relatos sobre Cultura Popular, com foco na oralidade e na escuta como fonte primária.
- O pesquisador critica o grafocentrismo acadêmico e afirma que a história da viola no Brasil foi ofuscada por textos que partem da visão do colonizador.
- Segundo ele, a viola era um instrumento do povo em Portugal e manteve essa característica ao chegar ao Brasil, influenciando a forma de registro histórico.
- O livro analisa como, no período imperial, o violão substituiu a viola nas cidades, e na República houve ênfase no ensino baseado em texto, apagando a oralidade popular.
- Vilela prepara um novo livro sobre o Clube da Esquina e destacou, em entrevista à CartaCapital, a importância de ouvir a música antes de ler sobre ela.
A segunda edição do livro História e Cultura no Som da Viola – Ensaios e Relatos sobre Cultura Popular, de Ivan Vilela, reforça a importância da oralidade e da escuta como fontes primárias. O autor, compositor, violeiro, pesquisador e professor da USP, critica o grafocentrismo acadêmico e antecipa novos trabalhos sobre o Clube da Esquina.
Vilela analisa as relações da viola com Portugal e Brasil, destacando que o instrumento era do povo em ambos os contextos. A obra aponta que, no Brasil, o registro histórico ficou limitado pela tradição escrita herdada de textos de colonizadores, dificultando a compreensão da memória popular.
Para ele, a chegada da viola ao Brasil não rompeu com a sua função popular; o que mudou foi o foco institucional na grafia textual desde a República. A partir do fim do século XX, as gravações da música caipira começaram a valorizar a viola e a memória oral passou a ser estudada com mais cuidado.
Contexto de método e ensino
Ao defender a escuta como método, Vilela afirma que a experiência sonora deve preceder a leitura de textos. Ouvir a música é visto como fonte primária para entender o contexto social que produz o repertório.
Além de discutir a história, o pesquisador aponta que a universidade mantém um viés grafocêntrico na análise da música popular. Ele ressalta a necessidade de incorporar a audição de registros para fundamentar interpretações.
Novo empreendimento do pesquisador
A obra atual prepara, segundo Vilela, o lançamento de um novo livro dedicado ao Clube da Esquina, marco musical brasileiro. O projeto segue os objetivos de aprofundar a compreensão da cultura popular a partir da prática oral. A entrevista à CartaCapital contextualiza essas mudanças.
Entre na conversa da comunidade