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Crianças com alta capacidade intelectual costumam apresentar uma pequena peculiaridade

Leitura frequente e vocabulário ampliado aparecem como indícios de altas habilidades em crianças, conforme especialistas

Crianças com alta capacidade intelectual costumam ter essa pequena peculiaridade que outras não têm, segundo três especialistas
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  • O termo superdotado é controverso; na prática, usa-se a definição da Escala de Inteligência Stanford‑Binet, que mede inteligência por meio de vários fatores, com pontuação acima de 180 sendo considerada superdotação e acima de 130 altas habilidades.
  • Segundo a Dra. Esther Martínez, pediatra, uma em cada cem crianças é superdotada, e uma em um milhão obtém mais de 180 no teste de QI.
  • Nem toda criança talentosa apresenta esse perfil, mas crianças com altas habilidades costumam ter um hábito de leitura frequente, que é apontado como um indicativo.
  • A leitura ajuda o desenvolvimento de funções executivas, memória, planejamento e autocontrole, além de impactar a inteligência social e as habilidades cognitivas; há relação positiva entre ler na primeira infância e desempenho acadêmico na adolescência.
  • Entre os sinais, destaca-se o interesse por vocabulário: crianças com altas habilidades costumam ler para expandir o vocabulário, às vezes lendo dicionários e buscando palavras novas para entender melhor conversas com adultos.

Criação de leitura incomum pode sinalizar altas habilidades. Pesquisas indicam que nem toda criança superdotada apresenta esse hábito, mas quem lê muito costuma ter QI acima da média, segundo definições de testes clássicos.

A definição mais citada classifica superdotação como pontuação acima de 180 em testes de QI da escala Stanford-Binet. Ainda assim, há consenso entre profissionais de educação em considerar altas habilidades em várias áreas.

Segundo a Dra. Esther Martínez, apenas 1 em cada 100 crianças seria superdotada, e apenas 1 em um milhão passa de 180 no QI. É comum, porém, que entidades educacionais reconheçam altas habilidades de forma mais ampla.

Entre as características associadas, destacam-se curiosidade, atividade, observação, perfeccionismo e independência. O hábito de leitura, porém, aparece como um indicador frequente em muitos casos.

Leitura como indícios

A leitura frequente fortalece funções executivas como memória, planejamento e autocontrole, além de favorecer vocabulário e cognição. Estudos sugerem relação positiva entre prazer da leitura na primeira infância e desempenho na adolescência.

Especialistas apontam que, para crianças com altas habilidades, a sede por vocabulário é particularmente intensa. Objetos como dicionários costumam aparecer entre as leituras preferidas dessas crianças.

A psicóloga Pauline de Saboulin Bollèna afirma que o vocabulário infantil se desenvolve pela busca de expressão precisa e compreensão correta. Livros não infantis também podem despertar interesse, incluindo dicionários.

Para Nelly Dussause, diretora de escola especializada em talentos, há curiosidade precoce sobre o significado das palavras. As crianças demonstram vocabulário sólido mesmo ao ouvir termos pela primeira vez.

Essa busca por palavras pode também explicar o interesse por conversar com adultos. Segundo a especialista Florence Pâris, dominar um vocabulário amplo facilita entender e participar de conversas complexas.

Não é regra universal. Nem todas as crianças com alta capacidade intelectual recorrem ao dicionário dessa forma, apenas aquelas que se sentem confortáveis verbal e linguisticamente.

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