- Professores de universidades portuguesas assinaram, em janeiro de 2026, um manifesto defendendo a proibição da IA generativa nos processos de ensino-aprendizagem no ensino superior.
- O documento afirma que os alunos estariam expostos ao “dilúvio digital”, facilitismo e desonestidade intelectual, chamando a prática de produzir trabalhos por meio de chatbots de “cretinos digitais”.
- O posicionamento contrasta com o Colóquio sobre Inteligência Artificial e Tecnologias Emergentes no Ensino Superior, realizado em fevereiro de 2026 pelo Forges em parceria com o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, que reconheceu o potencial da IA, mas apontou riscos como fraudes e desinformação.
- O debate destaca a necessidade de regulação, integridade científica e medidas concretas, incluindo plataformas integradas de IAG para ampliar o acesso e reduzir desigualdades no meio acadêmico.
- A questão central é como a universidade pode conviver com a tecnologia já presente nas salas de aula e na pesquisa, incorporando-a de forma ética e eficaz, em vez de bani-la.
Em meio a discussões sobre o uso da inteligência artificial (IA) na educação superior, docentes portugueses assinaram um manifesto pedindo a proibição da IA generativa nos processos de ensino-aprendizagem. O movimento ganhou espaço à medida que o Conselho Nacional de Educação avalia regulamentação e instituições europeias publicam estudos sobre o tema.
O documento “Por um Ensino Superior Humanizado”, divulgado em janeiro de 2026, afirma que a IA pode comprometer a integridade acadêmica, gerando trabalhos de qualidade padronizada e dificultando a identificação de fraudes. A avaliação crítica aparece como um pilar central do protesto.
Para os signatários, há ainda o risco de os alunos sofrerem com o que chamam de dilúvio digital, facilitismo e desonestidade intelectual, levando à chamada “cretinização digital”. Eles defendem medidas para conter esse quadro no ambiente universitário.
Debate entre governança e inovação
Em fevereiro de 2026, o Fórum da Gestão do Ensino Superior em Língua Portuguesa, o Forges, realizou o colóquio em Lisboa, com participação de docentes, pesquisadores e dirigentes de países lusófonos. O encontro reconheceu o potencial da IA, mas apontou riscos reais.
Os participantes ressaltaram a necessidade de evitar terceirização da formação intelectual e impactos à integridade científica. Também alertaram para a ampliação de práticas negacionistas em um contexto de desinformação crescente.
A discussão trouxe a pergunta central: como as universidades devem lidar com ferramentas de IA sem fechar os olhos para a transformação em curso? A ideia é encontrar caminhos que conciliem inovação e rigor acadêmico.
Caminhos e propostas
Alguns pares de universidades já adotam plataformas integradas de IA, visando democratizar o acesso a recursos tecnológicos. A proposta é manter a regulação aliada a ações que promovam equidade na aprendizagem.
O desafio envolve educar estudantes e professores sobre limites, uso responsável e critérios de avaliação. Investir em formação docente aparece como peça-chave para a melhoria da aprendizagem e da pesquisa científica.
O debate indica que o dilema não é entre banir ou liberar tudo. Trata-se de como conviver com uma tecnologia presente em salas de aula, laboratórios e prática científica, sem perder qualidade educativa.
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