- Dong-Sung Cho, criador do Ranking Mundial de Universidades para Inovação (Wuri), diz que as universidades precisam priorizar impacto real e colaboração com o setor privado, em vez de indicadores retrospectivos como publicações e credenciais.
- O Wuri avalia as instituições em quatro eixos — para quem, como, o que e com quem inovar — buscando medir contribuições práticas em vez de prestígio abstrato.
- Cho esteve em São Paulo e elogia o Brasil, destacando ecossistemas que conectem universidades, centros de pesquisa, empresas e políticas públicas; o Inteli é citado como instituição brasileira no ranking.
- Defende o alinhamento de programas nacionais com prioridades como a rede federal de universidades de pesquisa, liderança em biodiversidade e defesa da universidade pública para gerar casos de inovação com alcance global.
- Questiona modelos de admissão tradicionais e propõe avaliações mais holísticas que valorizem portfólios e experiências no mundo real, enfatizando a parceria equilibrada entre universidade e setor privado por meio de cocriação.
Dong-Sung Cho, professor sul-coreano, defende que universidades não devem depender de prestígio passado, mas buscar impacto real. Ele criou o Ranking Mundial de Universidades para Inovação, o Wuri.
Cho sustenta que avaliações tradicionais usam indicadores retrospectivos, como publicações e credenciais, mas não revelam como as instituições resolvem problemas da sociedade.
O professor, que já foi professor visitante em Harvard, Tóquio e Pequim e atua no ranking Wuri, ressalta a necessidade de mudar o foco para resultados práticos e mensuráveis.
A metodologia do Wuri observa quatro eixos: para quem, como, o que e com quem inovar, priorizando ações concretas sobre o status de prestígio.
Formação da visão de inovação
Segundo Cho, o objetivo é medir contribuições significativas para o mundo, não apenas a reputação acadêmica. A ideia é orientar as universidades a resolver problemas reais por meio de ações colaborativas.
Ele afirma que a inovação não ocorre isoladamente, mas dentro de ecossistemas que conectam universidades, centros de pesquisa, empresas e políticas públicas.
Em visita a São Paulo, ele destacou o Inteli como instituição brasileira que já figura entre as mais inovadoras. A interlocução com o setor público é apontada como essencial para ampliar o impacto.
Perspectivas para o Brasil
Cho enxerga potencial brasileiro para liderar inovações, desde que haja alinhamento entre programas universitários e prioridades nacionais, como redes federais de pesquisa, biodiversidade e defesa da universidade pública.
Ele sustenta que a inovação no ensino superior depende de ecossistemas dinâmicos e de cooperação entre academia, setor privado e governo. O Brasil, segundo ele, tem recursos humanos e diversidade para ampliar o papel global.
Questionado sobre o futuro da educação superior, o professor defende que as universidades atuem como plataformas de resolução de problemas, espaços de colaboração e formação de propósito, além de ensino de ponta.
Avaliação e relação com o setor privado
Cho aponta que modelos de admissão devem considerar traços como criatividade, resiliência e iniciativa, indo além de testes padronizados. A avaliação de potencial de inovação é o eixo central.
A relação entre universidades e setor privado precisa ser equilibrada, mantendo independência acadêmica e promovendo cocriação. O objetivo é transformar conhecimento em resultados tangíveis.
Ele reforça que o Wuri não visa apenas classificar, mas redefinir o que é valorizado no ensino superior e estimular impactos globais por meio de soluções reais.
Raio-X de Dong-Sung Cho
Natural de Seul, Cho tem atuação em estratégias acadêmicas e presidência do Wuri. Integra comitês de competitividade nacional e sociedades acadêmicas da Coreia, com foco em desenvolvimento econômico e educação superior.
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