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Avanços nas pesquisas sobre Infâncias e Natureza

Novos estudos fortalecem evidências de que a natureza beneficia o desenvolvimento infantil e a aprendizagem, e alertam para queda de conexão com o ambiente natural

Implantação de horta escolar em unidade da rede municipal de Salvador.
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  • Em 2026, o Alana comemora dez anos da tradução de A Última Criança na Natureza, destacando o aumento de centenas de estudos sobre os benefícios da natureza no desenvolvimento infantil.
  • No Brasil, educadoras como Lea Tiriba e Maria Amélia Pereira são referências, e seus legados influenciam redes de ensino, laboratórios e coletivos que produzem conhecimento sobre o tema.
  • O Laboratório Interinstitucional de Estudos e Pesquisas em Psicologia Escolar (LIEPPE-USP) atua na Orientação à Queixa Escolar para acolher crianças com dificuldades, avaliando como a natureza e mudanças pedagógicas podem melhorar o ambiente na escola.
  • O Núcleo Ciência para a Primeira Infância premiou estudo de mestrado do IOC/Fiocruz sobre aprendizagem infantil ao ar livre, que reforça o papel do brincar na natureza para memórias sensoriais e afetivas.
  • A organização Selvagem acompanha saberes indígenas e redes de educação regenerativa; estudo inglês de 2025 aponta queda de 60% na conexão humana com a natureza em duas séculos, destacando a urgência de políticas para reconectar crianças aos espaços abertos.

Em 2026, o Instituto Alana celebra dez anos desde a tradução de A Última Criança na Natureza, de Richard Louv. Hoje o tema ganha fôlego com centenas de estudos que comprovam os benefícios do contato com a natureza no desenvolvimento infantil e na educação.

No Brasil, educadoras pioneiras moldaram o campo. Lea Tiriba criou o conceito de desemparedamento das infâncias, hoje adotado por redes de ensino. Maria Amélia Pereira, pela Casa Redonda, também inspira pesquisadores. O legado passa por laboratórios, grupos de estudo e coletivos que conectam rigor acadêmico à prática empírica.

O Laboratório Interinstitucional de Estudos e Pesquisas em Psicologia Escolar (LIEPPE-USP) trabalha com Orientação à Queixa Escolar para acolher crianças com dificuldades de aprendizado. Intervenções tradicionais costumam patologizar comportamentos, ignorando dinâmicas escolares que afetam o bem-estar.

No escopo da OQE, o LIEPPE estuda como a natureza e mudanças pedagógicas ajudam a transformar o ambiente escolar, promovendo bem-estar. O volume Educação, infâncias e natureza resume aprendizados que subsidiam políticas públicas para a educação.

O Núcleo Ciência para a Primeira Infância premiou um estudo de mestrado ligado ao IOC/Fiocruz. A pesquisa investiga a aprendizagem infantil ao ar livre, destacando como atividades em ambientes naturais ativam sentidos somatossensoriais, proprioceptivos e afetivos, criando memórias duradouras.

Paralelamente, a organização Selvagem sustenta uma comunidade de estudos sobre o movimento indígena Escola Vivas e uma rede de aprendizagens entre mundos. Desde 2018, o coletivo registra saberes indígenas e dialoga entre ciência e arte, colocando a natureza no centro da identidade educativa.

Em 2025, estudo na Inglaterra aponta queda de 60% na conexão humana com a natureza nos últimos dois séculos, elevando o risco de extinção da experiência com o mundo natural. A pesquisa reforça a urgência de políticas públicas que reconectem crianças e famílias aos espaços abertos.

A partir desses trabalhos, o campo reforça a necessidade de ações concretas para ampliar o acesso à natureza na educação. Especialistas destacam que o envolvimento com ambientes naturais pode ampliar a participação escolar e favorecer o aprendizado.

Maria Isabel Barros, engenheira florestal e mestre em Conservação, atua como especialista em infâncias e natureza no Instituto Alana. Ela coordena o GT Natureza, Crianças e Adolescentes da Sociedade Brasileira de Pediatria desde 2019.

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