- O livro “O Poder das Palavras e Outros Poderes” reúne 26 artigos publicados originalmente na coluna Leituras Compartilhadas, do jornal literário Rascunho.
- José Castilho Marques Neto, filósofo e coordenador do Plano Nacional do Livro e Leitura, defende que a leitura é um direito de cidadania e uma política pública de longo prazo.
- Durante a pandemia, redes de bibliotecas comunitárias atuaram em bairros periféricos de São Paulo, oferecendo leitura, assistência médica, alimentação e cultura.
- O Panorama do Consumo de Livros aponta crescimento entre mulheres pretas das classes C e D nas periferias; houve aumento de 58% nas bibliotecas comunitárias desde 2008 e cerca de 1.700 bibliotecas públicas foram implantadas em cidades que não tinham unidades.
- Mesmo com esses avanços, a pesquisa Retratos da Leitura indica que 47% dos brasileiros são leitores, evidenciando uma dívida histórica na formação de leitores.
Pouco afeito a elogios à leitura, o Brasil tem apresentado sinais de mudança, segundo o especialista José Castilho Marques Neto. Em lançamento de livro, ele reforça que bibliotecas comunitárias e o consumo de livros pela classe C vêm crescendo no país.
O livro reúne 26 artigos originalmente publicados na coluna Leituras Compartilhadas, do jornal Rascunho. Castilho diz que a obra não é apenas uma coletânea, mas um convite público para ampliar o debate sobre leitura como direito de cidadania e política pública de longo prazo.
O editor Carlos Alberto Gianotti selecionou os textos. Castilho prefere não curar o próprio livro sozinho, afirmando que é inseguro editar a si próprio e pediu a avaliação de Gianotti para confirmar a coesão entre os artigos.
Segundo o autor, a unidade da obra está na defesa da leitura e da escrita como direitos universais. Ele ressalta que a leitura não é tema reservado a especialistas e que seu uso é uma prática social presente no cotidiano.
Panorama e impactos
Castilho estabelece relação entre a leitura e transformações recentes no país, observando o crescimento de iniciativas ligadas a livros nas periferias, mesmo em períodos de desmonte de políticas culturais. Ele cita ações de bibliotecas comunitárias durante a pandemia como exemplo de ativismo relevante.
Em relação ao perfil do leitor, o autor aponta dados de pesquisas recentes que indicam maior participação de mulheres pretas das classes C e D em áreas periféricas. O movimento é descrito como resultado de um processo já em curso.
O coordenador do Plano Nacional do Livro e Leitura destaca ainda o crescimento de bibliotecas comunitárias desde 2008, com a implantação de cerca de 1.700 unidades em cidades que nunca haviam contado com esse tipo de equipamento público.
Apesar do otimismo, Castilho reconhece desafios históricos. Dados de pesquisas indicam que menos da metade da população se enquadra como leitor. Para ele, há uma dívida histórica a ser paga no que diz respeito ao direito à leitura.
Entre na conversa da comunidade