- Manuscrito de 44 páginas reúne lições de composição ministradas por Wolfgang Amadeus Mozart a uma aluna, Marie-Louise-Philippine de Bonnières de Guînes, durante a estadia em Paris em 1778.
- A descoberta foi feita pela Biblioteca Nacional da França em dois de fevereiro, sendo considerada uma das descobertas mais importantes das últimas décadas.
- Em abril, o material foi autenticado por Armin Brinzing, diretor da Bibliotheca Mozartiana, atestando a autoria de Mozart.
- O caderno traz exercícios de composição e sete peças para flauta e harpa; a aluna era descrita como pouco talentosa e o último exercício fica incompleto.
- A obra voltou a ganhar vida com uma apresentação da Orquestra Filarmônica da Rádio France, realizada neste domingo na Salle Ovale, em Paris, com trecho tocado disponível em vídeo.
A Biblioteca Nacional da França anunciou a descoberta de um manuscrito de 44 páginas que reúne lições de composição dadas por Wolfgang Amadeus Mozart a uma aluna em Paris, em 1778. O volume, em branco de título, foi encontrado por acaso durante análise de rotina de um pesquisador do departamento de Música.
O caderno revela exercícios de composição e sete peças para flauta e harpa ministradas à jovem Marie-Louise-Philippine de Bonnières de Guînes (1759-1795), filha do duque de Guînes. A descoberta ocorreu em 2 de fevereiro, na instituição francesa.
Especialistas afirmam que o achado é relevante para entender a última estadia de Mozart em Paris e o papel do músico como professor. A autenticidade foi confirmada em abril por Armin Brinzing, da Mozarteum, na Áustria.
Autenticidade e detalhes do manuscrito
O conjunto foi identificado pela primeira vez por François-Pierre Goy, curador da coleção de 1800, com apoio de Laurence Decobert. O caderno compõe exercícios que teriam inspirado o duque de Guînes a encomendar um concerto para flauta e harpa.
As peças são atribuídas em parte a Mozart, com trechos que apresentam ideias do professor. O último exercício está incompleto e as seis páginas finais permanecem em branco. Instrumentos raros da época aparecem nas anotações.
Origem e história recente
O duque de Guînes, embaixador de Londres entre 1770 e 1776, possuía uma flauta capaz de tocar notas graves, usada nas obras registadas no caderno. Em Paris, esse instrumento apoiou as composições associadas ao volume, incluindo o Concerto para Flauta e Harpa KV 299.
As aulas foram interrompidas após o casamento de Mademoiselle de Guînes, em 26 de julho. O manuscrito ganhou nova vida com uma apresentação gravada pela Rádio França, ocorrida na Salle Ovale, sede da Biblioteca Nacional da França, neste domingo. A performance contou com músicos da Orquestra Filarmônica da Radio France.
Essa estreia mundial foi celebrada pela diretora da Radio France, Sibyle Veil, como uma demonstração da excelência dos músicos e do compromisso com o patrimônio musical. Um trecho do manuscrito pode ser ouvido em vídeo divulgado pela instituição.
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