- Quatro falsos autorretratos de Vincent van Gogh chegaram a capas de livros, enganando leitores e editores.
- Lust for Life, de Irving Stone (edição de 1934), trazia um suposto autorretrato que na prática era uma imitação reconhecida posteriormente; a peça foi retirada de catálogo e o apoio do National Gallery of Art permaneceu por algum tempo.
- Tragic Life, de Louis Piérard (1946), usou uma cópia reworkada por Judith Gérard do autêntico autorretrato dedicado a Gauguin; hoje é rotulado como cópia depois de Van Gogh e exibido como tal no Kunsthaus Zurich.
- By Himself, de Heinz Lieser (1963), mostra um retrato com elementos não originais, incluindo uma silhueta japonesa e a inscrição “etude a la bougie”; o quadro é amplamente rejeitado desde os anos cinquenta e não consta no catálogo crítico.
- Lost Arles Sketchbook, de Bogomila Welsh-Ovcharov (2016), traz uma suposta autocaricatura de julhoagosto de 1888, mas o conjunto inteiro do caderno é considerado falso pelo Van Gogh Museum.
A editora de artes volta e meia recorre a retratos de Van Gogh para ilustrar capas de livros, mas nem sempre a imagem é autêntica. Pesquisas recentes revelam pelo menos quatro auto-retratos falsos que chegaram a capas, enganando leitores e até especialistas.
Os casos variam em origem e ano, mas compartilham o mesmo risco: obras apresentadas como autorias do pintor neerlandês podem não pertencer a Van Gogh. A seguir, os quatro exemplos identificados por historiadores e museus de arte.
Lust for Life
A capa de Lust for Life, romance de Irving Stone, de 1934, trazia um suposto auto-retrato na década de 1920. A obra circulou depois de ter passado por uma galeria de Berlim e ter sido comprada por Chester Dale, hoje na National Gallery of Art. Em 1970, o catálogo a ajudou a ser rejeitada como autêntica.
O retrato foi mantido na coleção de Dale até o reconhecimento tardio de que não pertencia a Van Gogh. Desde a década de 1980, a National Gallery de Washington o lista como imitador, e o exemplar que aparece na capa tornou-se raro.
Trágica Vida
La Vie tragique de Vincent van Gogh, de 1946, usou uma “self-portrait” falsa na capa. A pintura tem história marcante: reproduz uma versão de 1897 de um retrato supostamente dedicado a Gauguin, pintado por Judith Gérard. A obra foi alterada e vendida como Van Gogh.
O engaño circulou por colecionadores europeus até chegar a museus, incluindo a Kunsthaus Zurich, onde figura com a nota de cópia após Van Gogh. O caso ganhou atenção após a revelação pública de Gérard, em 1931.
By Himself
No livro Vincent van Gogh: As seen by himself, de 1963, a Bayer Leverkusen publicou uma capa com um suposto auto-retrato. O crédito do artista ficou comprometido pela imagem, que apresentava o terço inferior inacabado.
A obra tem assinatura alterada e elementos inspirados em um retrato do Fogg Museum, mas exibidos de forma invertida. A peça foi adquirida por William Goetz, por meio de leilões, e hoje está associada a controvérsia.
Lost Arles Sketchbook
Vincent van Gogh: The Lost Arles Sketchbook, de 2016, trazia um desenho de autorretrato entre 65 páginas desconhecidas. O livro de Bogomila Welsh-Ovcharov foi publicado em vários idiomas, com prefácio de Ronald Pickvance.
Entretanto, o Van Gogh Museum rejeitou o caderno perdido, conclamando que todo o conjunto é falso. Mesmo assim, o retrato na capa gerou confusão entre leitores e reforçou a necessidade de verificação cautelosa de novas descobertas.
As exposições destacam a importância de confirmar autenticidade antes de usar imagens em capas de obras sobre Van Gogh. Instituições e editoras devem manter critérios rigorosos para evitar equívocos semelhantes.
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