- A galeria F. Valentine Dudensing abriu em Manhattan há exatamente cem anos e ficou marcada por uma série de estreias nos EUA, começando com Tsuguharu Foujita.
- Ao longo de dezoito anos, promoveu as primeiras exposições solo norte-americanas de Raoul Dufy e Joan Miró, a retrospectiva de Matisse em 1927 e revelou Picasso em Guernica, em maio de 1939, durante a turnê de arrecadação de verbas.
- Também realizou a única exposição individual de Mondrian em vida, em janeiro de 1942, e organizou mais exposições de Picasso no país do que qualquer outra galeria na década de 1930.
- A pesquisadora Julia May Boddewyn reuniu décadas de estudo para lançar o livro The Valentine Gallery: The Forgotten Story of Valentine Dudensing, Matisse, Picasso, and the US Market for Modern Art (1926-1947), pela Bloomsbury Visual Arts.
- A obra utiliza fontes primárias diversas — diários, cartas, catálogos, registros oficiais e arquivos de museus — para reconstruir a atuação da galeria e seu papel na formação do mercado de arte moderno nos Estados Unidos.
A galeria Valentine em Manhattan completou um século desde a sua inauguração, marcada por uma mostra do japonês-francês Tsuguharu Foujita. O espaço abriu com impacto e abriu caminho para uma série de estreias históricas no mercado americano de arte moderna.
Durante 21 anos de atividade, a Valentine saiu na frente com avanços importantes: as primeiras exposições solo americanas de Raoul Dufy e Joan Miró, a retrospectiva de Henri Matisse em 1927 e a primeira apresentação de Picasso em Guernica, em maio de 1939, quando a obra percorreu uma rota de arrecadação de fundos. Também realizou a única exposição individual vitalícia de Piet Mondrian, em 1942.
Mesmo assim, o conhecimento sobre a galeria permaneceu pouco conhecido. Até 1995, quando a pesquisadora Julia May Boddewyn começou a ligar as peças com base em cartas, notas de arquivo e periódicos. O interesse cresceu em meio a uma lacuna sobre o papel da galeria no gosto moderno dos EUA.
A pesquisa que revolucionou o tema
Boddewyn descreve os métodos de investigação empregados, que incluíram cartas oficiais, registros do governo, diários e catálogos. O trabalho levou à descoberta de uma documentação rara nas malas de entrepostos da família, incluindo listas de artistas, compradores e preços, arquivadas no MoMA.
Entre os achados, destacam-se diários de Margaret Gross, a esposa de Dudensing, que registravam visitas, interesses dos clientes e a manutenção da galeria entre 1937 e 1947. Também houve correspondência de Dudensing localizada em acervos de terceiros, como o crítico Henry McBride, em Yale.
O livro e o objetivo da pesquisadora
O resultado dessa pesquisa fica na obra The Valentine Gallery: The Forgotten Story of Valentine Dudensing, Matisse, Picasso, and the US Market for Modern Art (1926-1947). Boddewyn reuniu fontes primárias para ampliar o entendimento sobre o mercado de arte moderno nos EUA entre 1926 e 1947.
O livro busca servir como recurso para estudiosos, com um apêndice que lista todas as exposições da galeria e cita fontes primárias, como jornais e cartas. A autora enfatiza a confiabilidade dos dados de cada fato apresentado.
Detalhes da publicação
The Valentine Gallery tem 312 páginas e será publicado pela Bloomsbury Visual Arts, com preço de 95 libras em formato hardcover. A obra consolidará a compreensão sobre dealers pouco lembrados na história da arte moderna nos Estados Unidos.
Atualização (3 de março): a imagem de capa deste texto substitui uma foto anterior da Galerie Durand-Ruel.
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