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Almoço piemontês reúne comunidade italiana em São Paulo

Almoço em São Paulo mostra a virada piemontesa: Barbera valorizada e terras que viraram ativo significativo, com biodinâmica ganhando espaço

Giacomo Bologna, de 24 anos. Foto: Arquivo Pessoal
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  • Na primeira quarta-feira de março, Giacomo Bologna, 24 anos, chegou a São Paulo para um almoço promovido pela importadora Tanyno.
  • O vinho servido foi o Bricco dell’Uccellone, feito com uva Barbera e originário de Asti, Piemonte, criado pelo avô Giacomo nos anos oitenta.
  • A Barbera era vista, no início, como vinho do trabalhador; o avô inovou ao vinificar em barricas de carvalho e separar as parcelas mais qualificadas.
  • O rótulo, lançado em 1982, ganhou reconhecimento mundial mesmo após o período de adulteração com metanol que atingiu o Piemonte pouco depois.
  • O encontro também trouxe relatos sobre vinhas e técnicas da região, incluindo Barolo, Barbaresco e práticas de biodinâmica na Rivetto, fechando com Barbaresco Rabajà de Giuseppe Cortese.

O almoço piemontês em São Paulo reuniu facetas da história do vinho do Piemonte, desde a origem humilde da Barbera até a ascensão de rótulos premiados internacionalmente. A mesa aconteceu na zona oeste da capital paulista, com a importadora Tanyno abrindo a sequência de vinhos. Giacomo Bologna, de 24 anos, participou como representante da terceira geração de viticultores.

O primeiro vinho servido foi o Bricco dell’Uccellone, elaborado com Barbera. O rótulo tem raízes na vinícola de Asti e foi criado pelo avô de Giacomo, que começou a fazê-lo no início dos anos 1980. A ideia foi transformar a Barbera, antes vista como vinho do trabalhador, em objeto de prestígio técnico.

O histórico Bricco dell’Uccellone nasceu em 1982, poucas semanas depois de o Piemonte enfrentar o maior escândalo de adulteração de vinhos com metanol. A aposta de Bologna foi ousada: valorizar uma uva de menor prestígio com técnicas que aproximam o vinho daquilo que se espera de um Barolo ou Barbaresco.

Contexto histórico e gerações de mudança

A trajetória dos vinhos piemonteses na virada das décadas envolveu uma ruptura entre tradição e modernidade. Elio Altare, por exemplo, adotou barricas menores e técnicas novas, gerando resistência familiar, mas impulsionando o movimento Barolos Boys. Os impactos se refletem no amadurecimento de estilos mais concentrados e de guarda mais curta.

Enólogos como Beppe Caviola apostaram em Dolcetto, ampliando a oferta com várias linhas dedicadas à uva. Hoje, a diversidade de rótulos busca valorizar uvas como Dolcetto e Nebbiolo, mantendo o foco nos vinhos de terroir. A mudança de paradigma também se viu na região de Barolo, onde a tradição convive com novas práticas de vinificação.

Tendências e ativos do Piemonte contemporâneo

A biodinâmica ganhou espaço, especialmente na vinícola Rivetto, que implementou certificação em 2015. A prática envolve manejo ecológico com árvores, lavanda e animais no controle de ervas, refletindo uma visão integrada do terroir. Tais práticas influenciam a produção de Barolo e Barbaresco na região.

A narrativa do Piemonte também mostra um mercado internacional atento aos ativos de terras. Hoje, o valor de uma hectárea de Barolo pode superar milhões, e famílias locais mantêm controle estratégico mesmo com interesse de investidores estrangeiros. A tradição persiste, aliada à demanda global por terroirs reconhecidos.

O almoço encerrou com Barbaresco Rabajà, da Giuseppe Cortese, destacando a importância de vinhedos clássicos. A história de Rabajà remonta a épocas em que produtores buscaram explorar com persistência a qualidade de terroir específico. O encontro reforçou a ideia de que a excelência permanece além de nomes consolidados.

Vinhos e pratos, como feijões, banana à milanesa, couve, carne e farofa, foram harmonizados na mesa. A máxima entre enófilos aponta que vinhos italianos ganham expressão com comida, uma relação que favorece a apreciação de rótulos históricos e inovações contemporâneas.

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